Um estudo sobre o câncer de colo de útero revela que o diagnóstico tardio da doença acarreta custos mais altos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Além de afetar a taxa de sobrevida dos pacientes, o diagnóstico em estágios avançados requer um número maior de internações e procedimentos médicos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da MSD Brasil, que desenvolvem a vacina nonavalente contra o HPV, disponível na rede privada. A imunização é a principal forma de prevenção do câncer de colo de útero e também pode ser obtida gratuitamente no SUS, através da vacina quadrivalente, destinada a adolescentes entre 9 e 14 anos.
Os dados analisados foram coletados de 206.861 mulheres diagnosticadas com a doença entre janeiro de 2014 e dezembro de 2021, utilizando o banco de dados do DataSUS. O estudo constatou que a necessidade de quimioterapia e a frequência de internações aumentam conforme o estágio do câncer no momento do diagnóstico. Cerca de 60% dos casos no Brasil são identificados em fases avançadas.
As estatísticas mostram que, quanto mais avançado o estágio do câncer, maior a porcentagem de pacientes que necessitam de tratamento quimioterápico e mais frequentes são as internações. Os dados coletados indicam os seguintes percentuais:
– Estágio 1: 47,1% necessitam de quimioterapia, com 0,05 internações e 0,54 visitas ambulatoriais por mês.
– Estágio 2: 77% necessitam de quimioterapia, com 0,07 internações e 0,63 visitas.
– Estágio 3: 82,5% necessitam de quimioterapia, com 0,09 internações e 0,75 visitas.
– Estágio 4: 85% necessitam de quimioterapia, com 0,11 internações e 0,96 visitas.
Ainda segundo o estudo, até 80% das mortes por câncer de colo de útero ocorrem em países de baixa e média renda, como o Brasil. O Instituto Nacional de Câncer estima que o Brasil registre cerca de 17 mil novos casos anualmente, predominando entre mulheres não brancas, com baixa escolaridade e que dependem do SUS.
A análise também destacou o agravamento da situação durante a pandemia de Covid-19. O número de pacientes que se submeteram apenas à cirurgia caiu para 25,8% em 2020, em comparação a 39,2% entre 2014 e 2019. Também houve uma redução de cerca de 25% nos procedimentos de radioterapia e um aumento de 22,6% em quimioterapia isolada.
Os pesquisadores ressaltaram que a prevenção é essencial, uma vez que aproximadamente 99% dos casos de câncer de colo de útero são causados por infecções persistentes de HPV. A vacinação, exames de rotina e tratamento de lesões pré-cancerígenas são fundamentais. A vacina quadrivalente está disponível na rede pública para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, enquanto a vacina nonavalente pode ser obtida na rede privada por pessoas de 9 a 45 anos.
O estudo conclui que o ônus econômico e social do câncer de colo de útero no Brasil exige uma ação urgente por parte das políticas públicas, visando ampliar a cobertura da vacinação e do rastreamento, garantindo que os pacientes recebam o tratamento adequado e precoce.



