Pagamentos para bancar as ações do grupo identificado como “A Turma” continuaram mesmo após o início da operação Compliance Zero e depois da prisão de Daniel Vorcaro, dono do estabelecimento Master. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que embasou os mandados de prisão cumpridos nesta quinta-feira (14).
Segundo a decisão, repasses de R$ 400 mil foram efetuados por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, preso nesta fase da investigação. O documento aponta que Henrique atuava como destinador de recursos para o financiamento do grupo.
Os valores teriam sido encaminhados a Marilson Roseno, policial aposentado, que recrutava agentes para acessar irregularmente o sistema e-Pol da Polícia Federal em benefício dos interesses da família Vorcaro. Trechos de mensagens incluídos na decisão registram menção a um repasse de R$ 400 mil e a sugestão de que o montante ideal seria de R$ 800 mil.
A decisão também relaciona a proximidade de Daniel Vorcaro com agentes da PF, incluindo a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, apontada como responsável por fornecer informações sigilosas a partir do acesso ao e-Pol.
Marilson Roseno, apontado como líder da “Turma”, teria buscado o auxílio de ao menos três policiais para consultas ao sistema da PF. Ele está preso desde março e, conforme a decisão, será transferido para um presídio de segurança máxima.
Paralelamente, a investigação descreve outro grupo, chamado “Os Meninos”, responsável por ataques cibernéticos. Esse núcleo recrutava operadores com perfil hacker e os remunerava para realizar monitoramentos ilícitos, invasões, ataques digitais e derrubada de perfis.
Os dois grupos, segundo a decisão, eram coordenados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que se matou em março após ser detido pela polícia.
A reportagem não conseguiu contato com os demais investigados.



