quinta-feira, março 26, 2026
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Poluição do ar pode estar relacionada a mortes de crianças na Zona Oeste do Rio

Um estudo desenvolvido no Rio de Janeiro indicou que a poluição do ar pode ter influenciado a morte de 8,5% das crianças com até 5 anos em três bairros da zona oeste da cidade. A pesquisa avaliou a presença de material particulado fino (MP2,5), que está associado a doenças respiratórias e cardiovasculares.

Realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a Universidade Veiga de Almeida (UVA), a pesquisa foi publicada em julho no Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology. O foco da análise foram os bairros de Bangu, Paciência e Santa Cruz, localizados em uma área que enfrenta sérios problemas de qualidade do ar devido a sua topografia, queimadas e emissões de veículos e indústrias.

Durante o período de abril a novembro de 2023, marcado por baixa precipitação e piores condições de qualidade do ar, as medições revelaram que, em mais da metade dos dias, as concentrações de MP2,5 excederam os 15 µg/m³, valor máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os pesquisadores integraram esses dados com informações do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Prefeitura do Rio de Janeiro. No intervalo analisado, a taxa de mortalidade entre crianças de 1 a 5 anos foi de 14,9 por mil nascidos vivos, com 28,2% das mortes relacionadas a doenças respiratórias e 5,3% a doenças cardiovasculares. Utilizando o software AIRQ+, os cientistas estimaram que a alta exposição ao MP2,5 teve impacto direto em 8,5% das mortes infantis.

Os pesquisadores destacam que as partículas finas são extremamente prejudiciais à saúde, pois conseguem penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças graves, especialmente entre crianças e idosos, cujos sistemas respiratórios são mais vulneráveis.

A pesquisa enfatizou a urgência de planos de gestão e monitoramento da qualidade do ar que sejam mais eficazes, com foco na proteção de populações vulneráveis. A necessidade de uma abordagem abrangente para o monitoramento da poluição em toda a cidade também foi apontada, especialmente em áreas mais problemáticas.

Além disso, foi mencionada a importância de um monitoramento constante e abrangente, considerando todos os tipos de poluentes. A ampliação das iniciativas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para incluir medições de material particulado fino em todas as estações de tratamento foi apontada como um passo positivo, que poderá fornecer um diagnóstico mais preciso da situação e embasar ações de controle e fiscalização.

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