quinta-feira, março 26, 2026
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Copom avalia se interrompe aumento da Taxa Selic nesta quarta-feira

Com a inflação apresentando uma desaceleração, embora alguns preços, como os de energia, estejam em alta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (30) para decidir sobre a continuidade do aumento da Taxa Selic, os juros básicos da economia. Especialistas do mercado indicam que a taxa deve permanecer em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Atualmente, a Selic está estabelecida em 15% ao ano, nível que não era alcançado desde julho de 2006. Desde setembro do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas.

De acordo com o boletim Focus, pesquisa realizada semanalmente com analistas, a expectativa é que a Selic mantenha-se em 15% até o final de 2025, com início de reduções a partir de 2026. O debate atual gira em torno do momento exato em que as taxas começarão a ser reduzidas.

Na última ata do Copom, divulgada em junho, foi informado que a Selic continuará nesse nível por um período prolongado devido à persistência dos núcleos da inflação, que excluem preços administrados e alimentos in natura. O comitê apontou que a inflação continua a ser influenciada por uma demanda que justifica uma política monetária restritiva por um tempo considerável.

A decisão do Copom deverá ser divulgada ao término da reunião. Após atingir 10,5% entre junho e agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro, com aumentos consecutivos que variaram entre 0,25 e 1 ponto percentual.

Em relação à inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma desaceleração, marcando 0,24% em junho e 5,35% acumulados em 12 meses. No entanto, o IPCA-15 de julho, um indicador prévio do IPCA, superou expectativas, refletindo aumentos nos preços da energia e passagens aéreas.

As projeções de inflação para 2025, segundo o último boletim Focus, caíram para 5,09%, uma diminuição em relação aos 5,2% de semanas anteriores. Esses números permanecem acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3% para este ano, que pode chegar até 4,5% devido à margem de tolerância de 1,5 ponto.

A Taxa Selic, fundamental nos negociamentos de títulos públicos, atua como referência para outras taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC realiza operações diárias no mercado aberto para manter os juros em linha com a taxa definida nas reuniões.

O aumento da Selic visa conter uma demanda excessiva, o que impacta os preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, embora possam dificultar o crescimento econômico. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, além de estimular a economia.

As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias, com apresentações técnicas sobre as economias brasileira e global e a análise das condições financeiras no primeiro dia, seguido pela definição da Selic no segundo dia.

O novo sistema de meta contínua, implementado em janeiro, estabelece uma meta de inflação de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior de 4,5%.

No último Relatório de Política Monetária, publicado no final de junho, o BC previu que o IPCA deve fechar 2025 em 4,9%, sujeito a revisões conforme a evolução do dólar e da inflação. A próxima edição deste relatório, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no final do mês de setembro.

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