quinta-feira, março 26, 2026
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Febre Oropouche: Deixando a Amazônia e se Espalhando pelo Brasil

Até 2023, a febre oropouche era considerada uma enfermidade restrita à Região Amazônica. No entanto, neste ano, o Espírito Santo, localizado a cerca de 3 mil km da Amazônia, registrou 6.318 casos, tornando-se o estado com o maior número de notificações. Especialistas buscam compreender as razões para a expansão da doença no Brasil, enquanto profissionais de saúde elaboram estratégias para conter a febre em uma população sem imunidade prévia.

Em 2023, foram confirmados casos da doença em 18 estados e no Distrito Federal, totalizando 11.805 infecções. Até o momento, cinco óbitos foram atribuídos à febre: quatro no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo, com mais duas mortes sob investigação. As notificações têm superado os números do ano anterior, e as previsões indicam que os registros de 2025 poderão ultrapassar os 13.856 casos notificados em 2024. O total de mortes já é maior que o do ano passado, que contabilizou quatro óbitos em diferentes estados.

A febre oropouche é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, comum em diversas regiões do Brasil. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça, musculares e articulares, semelhantes aos de outras arboviroses, como dengue e chikungunya. A infecção pode gerar complicações durante a gestação, como microcefalia e malformações, levando o Ministério da Saúde a aconselhar gestantes em áreas afetadas a intensificarem os métodos de proteção contra picadas de mosquito.

Investigações realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz indicam que a nova linhagem do vírus, que se espalhou por várias regiões do Brasil, teve origem no Amazonas. Algumas áreas de desmatamento recente em estados como Amazonas e Rondônia são apontadas como fatores que contribuíram para a disseminação do vírus, favorecendo a mobilidade de pessoas infectadas.

Embora o maruim esteja presente em todo o país, ele necessita de ambientes úmidos e com matéria orgânica em decomposição para se reproduzir, o que favorece seu desenvolvimento em áreas florestais e agrícolas. Os surtos têm se concentrado em regiões periurbanas, onde há transição entre ambientes rurais e urbanos.

Estudos internacionais sugerem que as variáveis climáticas, como mudanças nas condições de temperatura e precipitação, foram determinantes para a disseminação da oropouche, representando 60% dos fatores influenciadores. Eventos climáticos extremos, como o fenômeno El Niño, podem também ter contribuído para o surto atual.

A resposta do Ministério da Saúde inclui o fortalecimento do monitoramento de casos e a realização de reuniões e visitas técnicas para orientar autoridades locais quanto ao manejo e notificação de casos da doença. Em colaboração com a Fiocruz e a Embrapa, foram iniciados estudos sobre o uso de inseticidas para controlar o vetor, com resultados iniciais promissores. As recomendações de prevenção incluem o uso de roupas protetoras e a eliminação de locais com acúmulo de matéria orgânica.

No Espírito Santo, onde o número de casos tem alarmado as autoridades, a proximidade de áreas de cultivo facilita a reprodução do maruim, resultando em um cenário propício para a transmissão do vírus. Profissionais de saúde estão sendo treinados para reconhecer a doença e diferenciá-la de outras infecções similares.

A febre oropouche também começou a afetar alguns estados da Região Nordeste, como o Ceará, que registrou 674 casos neste ano. Os surtos no estado estão relacionados a áreas de cultivo, com um aumento da doença em regiões mais populosas. A gestão de saúde local está ampliando as ações de vigilância e diagnóstico, especialmente para gestantes, considerando que a infecção pode levar a complicações graves, como a morte fetal.

O controle da febre oropouche apresenta desafios, especialmente devido à complexidade da eliminação dos vetores. Testes estão em andamento para identificar estratégias eficazes de controle e manejo médico da doença.

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