# Derrota republicana amplia pressão sobre relação dos EUA com Israel
A perda das maiorias republicanas na Câmara e no Senado dos Estados Unidos, nas eleições de meio de mandato do presidente Donald Trump, recolocou a aliança entre Washington e Israel no centro do debate político americano.
O vice-presidente JD Vance incluiu a relação dos Estados Unidos com Israel entre os fatores associados à derrota eleitoral do Partido Republicano, segundo informações divulgadas após o pleito.
No dia da votação, Trump anunciou o encerramento da ajuda militar anual de US$ 3,8 bilhões destinada a Israel. O repasse estava previsto para continuar até 2028 e a decisão surpreendeu aliados israelenses.
Israel é historicamente o principal destinatário de assistência externa americana, incluindo recursos militares. Dados do Conselho de Relações Exteriores dos EUA indicam que o país recebeu mais de US$ 300 bilhões desde sua criação, em 1947, até 2025.
Desse montante, cerca de US$ 224 bilhões foram destinados à área militar. O valor é mais que o dobro da assistência concedida ao Afeganistão, segundo colocado no levantamento, com US$ 113 bilhões.
A ajuda militar a Israel existe desde o governo de John Kennedy, entre 1961 e 1963, e foi ampliada durante o primeiro mandato de Trump, de 2016 a 2020. O governo de Joe Biden, entre 2020 e 2024, manteve o patamar de apoio durante a guerra na Faixa de Gaza.
O tema também teve impacto na disputa eleitoral em Michigan, onde Abdul El-Sayed se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos. Durante a campanha, ele criticou os gastos americanos com assistência militar a Israel.
Em Providence, capital de Rhode Island, os eleitores aprovaram com aproximadamente 75% dos votos uma medida que determina o fim de investimentos municipais em países envolvidos em limpeza étnica, apartheid, ocupação militar ilegal ou genocídio.
Embora o texto não mencione Israel, a proposta foi apresentada pela Coalizão Providence Pela Palestina e teve apoio do prefeito democrata David Morales.
Após as declarações de Vance, o presidente israelense Isaac Herzog reconheceu a existência de um sentimento contrário a Israel nos Estados Unidos. Já o representante israelense na ONU, Danny Danon, contestou a associação entre a relação bilateral e o resultado das eleições americanas.



