sexta-feira, outubro 30, 2026

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Linfoma não Hodgkin: conheça o câncer que levou Netinho à morte

# Linfoma não Hodgkin tipo B: entenda a doença que causou a morte do cantor Netinho

O cantor Netinho morreu na terça-feira (13) em decorrência de um linfoma não Hodgkin do tipo B. A doença é um câncer do sangue que se inicia no sistema linfático, estrutura formada por vasos, gânglios e órgãos como amígdalas e baço, responsáveis por parte da defesa do organismo.

O sistema linfático transporta a linfa, líquido que contém linfócitos — células essenciais à resposta imunológica e ao combate a infecções. Essas células estão concentradas principalmente nos linfonodos, localizados em áreas como pescoço, axilas e virilhas.

No linfoma não Hodgkin, os linfócitos sofrem alterações e passam a se multiplicar de forma descontrolada. O acúmulo pode ocorrer nos gânglios linfáticos e também em outros órgãos.

A forma de células B, diagnosticada em Netinho, corresponde a cerca de 85% dos casos de linfoma não Hodgkin. Também há subtipos originados em células T e em células NK, que são menos frequentes.

O quadro do cantor era classificado como linfoma plasmablástico, uma variante rara, mais agressiva e de tratamento mais complexo. Esse tipo é mais comum entre pessoas com imunidade comprometida.

Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 10.180 novos diagnósticos de linfoma não Hodgkin neste ano. A projeção inclui 5.370 casos entre homens e 4.810 entre mulheres.

## Sintomas

Os sinais da doença podem variar conforme o subtipo e a velocidade de evolução do câncer. Entre os sintomas mais comuns estão aumento dos gânglios, febre, suor noturno intenso, emagrecimento sem causa aparente e cansaço.

Também podem ocorrer manchas avermelhadas na pele, coceira, náuseas, vômitos, dor abdominal, tosse, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

Nas formas mais agressivas, a doença pode provocar dores no pescoço, braços ou abdome, falta de ar, fraqueza nos membros e confusão mental.

## Fatores associados

A causa exata do linfoma não Hodgkin ainda não é totalmente conhecida. No entanto, alguns fatores estão relacionados a um risco maior de desenvolvimento da doença, como idade, sexo, imunossupressão, doenças autoimunes, exposição à radiação e contato com substâncias tóxicas.

Infecções por agentes como o vírus Epstein-Barr, HIV, HTLV e a bactéria *Helicobacter pylori* também aparecem entre os fatores associados.

## Diagnóstico e estágios

A identificação do linfoma pode envolver biópsia de linfonodos, punção de medula óssea, radiografia, tomografia, ressonância magnética e PET-CT.

Após a confirmação, os médicos fazem o estadiamento para determinar a extensão da doença e verificar se outros órgãos foram atingidos. A classificação vai do estágio I ao IV.

No estágio I, o linfoma aparece em uma única região de gânglio ou órgão linfático, podendo também estar fora do sistema linfático. No estágio II, há dois ou mais grupos de gânglios afetados no mesmo lado do diafragma.

O estágio III indica comprometimento de gânglios acima e abaixo do diafragma. Já no estágio IV, o câncer se disseminou para órgãos que não fazem parte do sistema linfático e não estão próximos aos gânglios atingidos.

A letra E pode ser incluída na classificação quando há extensão para um órgão fora do sistema linfático. A letra S indica envolvimento do baço.

## Tratamento

A escolha do tratamento depende do estágio da doença, dos sintomas e das condições gerais do paciente. As alternativas incluem quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo, imunoterapia e transplante de células-tronco em situações específicas.

Nos últimos anos, o tratamento dos linfomas não Hodgkin, especialmente os de células B, passou a contar com medicamentos mais direcionados às células tumorais e terapias que estimulam o sistema imunológico a combater o câncer.

Para pacientes que não respondem às terapias iniciais, há opções como medicamentos biespecíficos e a terapia CAR-T, indicada para alguns casos de linfoma do subtipo B.

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