quinta-feira, março 26, 2026
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Brasil lança a maior biofábrica do mundo para mosquitos benéficos

O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP) inauguraram neste sábado (19) a Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo dedicada à criação do mosquito Aedes aegypti, modificado com a bactéria Wolbachia. Essa bactéria inibe a transmissão de vírus responsáveis por doenças como dengue, chikungunya e zika.

Com uma equipe de 70 funcionários, a biofábrica planeja produzir até 100 milhões de ovos de mosquito semanalmente. Inicialmente, a produção será direcionada exclusivamente ao Ministério da Saúde, que está responsável por selecionar os municípios onde o método Wolbachia será implementado, utilizando dados sobre a incidência dessas doenças.

Desde 2014, o método tem sido testado no Brasil, com liberações em bairros de Tubiacanga e Jurujuba, no Rio de Janeiro e em Niterói, respectivamente. A expansão do projeto já abrange seis cidades: Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná; Joinville, em Santa Catarina; Petrolina, em Pernambuco; e as capitais Belo Horizonte e Campo Grande, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, respectivamente. Está em fase de implantação nas cidades de Presidente Prudente, em São Paulo; Uberlândia, em Minas Gerais; e Natal, no Rio Grande do Norte.

Os próximos locais a receberem o método incluem Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina, além de áreas adicionais em Joinville, bem como Valparaíso de Goiás e Luziânia, em Goiás, e Brasília. A biofábrica informa que, neste momento, está em andamento uma campanha de comunicação para engajar a população dessas localidades, com a liberação dos mosquitos programada para o segundo semestre.

É importante destacar que o método não utiliza mosquitos transgênicos e funciona como um complemento a outras estratégias de controle, além de reforçar a necessidade de cuidados comunitários para eliminar criadouros.

O IBMP, responsável pela biofábrica, é fruto da colaboração entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A proposta do método é liberar mosquitos com a bactéria Wolbachia para que se cruzem com a população local do Aedes aegypti, resultando em descendentes portadores da bactéria, com menores chances de transmitir doenças. As wolbachias são bactérias que já estão presentes em mais da metade dos insetos do mundo, segundo estimativas científicas.

A expectativa é que, ao investir na implementação desse método, o retorno financeiro ao governo em tratamentos e internações possa variar entre R$ 43,45 e R$ 549,13 para cada real investido.

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