**Coalizão liderada pelos EUA quer levar combate ao narcotráfico à OEA**
A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos e composta por outros 14 países latino-americanos, pretende apresentar à Organização dos Estados Americanos (OEA) uma proposta de ação conjunta contra organizações ligadas ao narcotráfico.
O grupo foi criado em março deste ano e reúne Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos.
Durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, os integrantes divulgaram um documento com a intenção de levar a iniciativa ao âmbito da OEA. A coalizão também concordou em classificar 24 grupos envolvidos com o tráfico de drogas como organizações terroristas. Entre eles estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
A proposta prevê a convocação do Órgão de Consulta da OEA, com participação ministerial dos países, para discutir uma resolução baseada no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar). Assinado em 1947, o acordo estabelece que uma agressão contra um Estado americano deve ser considerada uma agressão contra os demais integrantes do continente.
Além do enfrentamento ao tráfico de drogas, o documento da coalizão inclui medidas de cooperação econômica. Entre os pontos citados estão a proteção de cadeias de fornecimento de minerais críticos e a adoção de regras para fornecedores considerados confiáveis na área de infraestrutura digital.
Os minerais críticos são utilizados nos setores de tecnologia, defesa e transição energética e ocupam posição relevante na disputa econômica e tecnológica entre Estados Unidos e China.
O governo dos Estados Unidos informou que a iniciativa busca combater o narcotráfico e afastar ameaças externas, incluindo influências de países fora do Hemisfério Ocidental.
O Brasil não foi convidado a integrar a coalizão. O governo brasileiro acompanha a proposta com cautela e mantém mecanismos de cooperação internacional contra o crime organizado com países da região. Brasília deve aguardar a apresentação formal do projeto à OEA para decidir se apoiará ou rejeitará uma eventual resolução sobre o tema.



