quarta-feira, setembro 23, 2026

InícioMundoGoverno Milei provoca fechamento de 31 mil empresas e perda de 245...

Governo Milei provoca fechamento de 31 mil empresas e perda de 245 mil empregos formais na Argentina

# Argentina perdeu mais de 31 mil empresas e 245 mil empregos formais sob Milei

A Argentina registrou o fechamento de 31,3 mil empresas desde o início do governo de Javier Milei, em novembro de 2023. O número equivale a 6,1% das companhias formalmente registradas no país, segundo levantamento da Fundar, centro argentino de pesquisas.

O estudo abrange o período entre novembro de 2023 e junho de 2026. Dos 18 segmentos econômicos analisados, 14 reduziram a quantidade de empresas em atividade. O impacto atingiu 23 das 24 províncias argentinas.

Neuquén foi a única província a escapar da tendência de retração. A atividade ligada à exploração de gás natural na região de Vaca Muerta impulsionou a economia local e as exportações do país.

A indústria argentina também apresentou queda. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, a produção industrial recuou 2,6%, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O pior desempenho foi registrado pelo setor de equipamentos eletrônicos e médicos, com redução acumulada de 19,1% em um ano.

Somente no último mês analisado, 709 empresas encerraram as atividades. Entre elas estavam a metalúrgica Din S.A., do Grupo Govan, e a têxtil Clan Issime, ambas com mais de cinco décadas de operação.

A Clan Issime chegou a manter 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados. No encerramento das atividades, a fábrica tinha nove trabalhadores.

## Mercado de trabalho

O fechamento de empresas foi acompanhado pela redução do emprego formal. Dados do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) apontam a eliminação de 245,6 mil vagas privadas registradas no período analisado, equivalente a uma queda de 3,9%.

Parte dessa perda foi compensada pela expansão do trabalho autônomo. O número de trabalhadores por conta própria aumentou em 169 mil, alta de 8,3%, indicando a substituição parcial de empregos formais por ocupações com menor proteção trabalhista.

A taxa de desemprego chegou a 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, avanço de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com o Indec.

## Inflação cai, mas atividade econômica perde força

A desaceleração da inflação é um dos principais resultados apresentados pelo governo Milei. A taxa anual passou de 289% em abril de 2024 para 33,5% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026.

Ao mesmo tempo, indicadores de emprego, renda das famílias e produção industrial mostram perda de ritmo na economia. A situação é agravada pelo endividamento externo argentino, estimado em US$ 350 bilhões.

O Produto Interno Bruto argentino cresceu 4,4% em 2025, após retração de 1,3% em 2024. O governo também destaca avanços em exportações, consumo privado e inflação como sinais de recuperação econômica.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES