A Associação Americana de Vestuário e Calçados (Aafa) solicitou ao representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a inclusão de plataformas de comércio eletrônico locais na Lista de Mercados Notórios (NML). A entidade destaca a importância de que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) amplie sua lista anual, que atualmente se concentra em mercados físicos e sites estrangeiros que supostamente facilitam a venda de produtos piratas.
O ofício enviado à Greer menciona que a NML deve identificar quaisquer plataformas que participem ou se beneficiem de atividades relacionadas à pirataria, independentemente de sua localização. A Aafa, que representa mais de 1.100 fabricantes e conta com marcas que movimentam anualmente mais de US$ 520 bilhões, argumenta que a falta de inclusão de plataformas americanas reduz a pressão sobre elas para coibir a falsificação.
Desde 2020, a lista não contém referências a plataformas baseadas nos Estados Unidos associadas a produtos falsificados, o que, segundo a Aafa, é preocupante, já que falsificadores operam sem fronteiras e o problema da falsificação online se agrava. A associação alerta que, se não houver um padrão de responsabilidade definido internamente, outras instâncias criarão suas próprias normas.
Em paralelo, o USTR anunciou uma investigação sobre práticas comerciais no Brasil que possam afetar negativamente empresas e trabalhadores americanos. Essa investigação foi solicitada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o Brasil não respeita os direitos de propriedade intelectual.
Na última versão da Lista de Mercados Notórios, o USTR destacou a Rua 25 de Março, em São Paulo, conhecida por sua atividade intensa de comércio popular e pela presença de produtos falsificados. O USTR indicou que a área é um dos principais centros de falsificação no Brasil e na América Latina, com mais de mil lojas envolvidas na venda de mercadorias ilegais.
Após a divulgação da investigação, comerciantes locais defenderam que a venda de produtos piratas é esporádica e que a fiscalização é constante. Eles ressaltaram a relevância da região como um importante polo comercial, com mais de 3 mil estabelecimentos formais que contribuem para a economia local, gerando empregos e oferecendo produtos de qualidade.



