sexta-feira, julho 3, 2026
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Chanceler alemão afirma que acordos devem preservar valores democráticos

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu, em painel do AHK Business Breakfast promovido pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, alinhamento com governos democráticos, confiáveis e previsíveis, além da manutenção de certo grau de protecionismo econômico. A participação integrou a agenda do chanceler durante visita ao Brasil nesta semana.

Wadephul apresentou a aproximação entre países ancorados na legalidade e na segurança jurídica como estratégia diante de um cenário mundial de maior desconfiança. Citou a necessidade de avaliar parcerias comerciais quando um parceiro obtém participação muito grande na economia doméstica e apontou práticas de exportação com preços muito baixos como um problema a ser monitorado. Também afirmou que a Alemanha seguirá cooperando com a China, mantendo atenção aos riscos de dependência.

No mesmo painel, Svenja Ahlburg, porta-voz do Wilo Group para a América Latina, ressaltou a escassez de crédito direcionado ao Brasil e a importância de gerar valor local. Segundo ela, redução de tarifas e medidas isoladas não resolvem sem inovação e maior competitividade industrial. Ahlburg defendeu a meta de transformar o país em um hub produtivo, em vez de mantê-lo apenas como mercado consumidor.

Contexto econômico e cooperação

A Alemanha é atualmente a economia mais potente da Europa, figura entre as maiores do mundo e é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo bilateral de cerca de US$ 21 bilhões. O estoque acumulado de investimentos diretos alemães no país chega a US$ 44 bilhões, posicionando a Alemanha em sétimo lugar entre os investidores.

Em maio, Mercosul e União Europeia formalizaram um acordo visando cooperação em áreas como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática.

Apoio a projetos ambientais

A Alemanha também é um dos principais doadores para iniciativas ambientais no Brasil, incluindo ações contra o desmatamento, restauração florestal e o fortalecimento de redes de produção sustentável por meio do Fundo Amazônia, ativo há 18 anos. Considerando contratos assinados em 2010, 2017 e 2022, a contribuição alemã soma R$ 387,8 milhões. Em abril, o país comprometeu-se com R$ 2,94 bilhões destinados ao Fundo Clima, voltado a projetos, ações e pesquisas sobre os impactos das mudanças climáticas e redução de emissões.

Administrado pelo BNDES e concebido pelo governo brasileiro, o Fundo Amazônia já apoiou 259 mil pessoas em atividades produtivas sustentáveis, beneficiou 75 mil indígenas, alcançou 122 terras indígenas no bioma e financiou 192 unidades de conservação.

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