O acervo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reúne processos ligados à história das Copas do Mundo e de jogadores que marcaram o futebol brasileiro.
Entre os arquivos, destaca-se o inquérito sobre o furto da Taça Jules Rimet. O troféu, definitivamente entregue ao Brasil após as conquistas de 1958, 1962 e 1970, foi roubado em dezembro de 1983 da sede da Confederação Brasileira de Futebol na Rua da Alfândega, no centro do Rio. Os autos que documentam desde a investigação até a condenação dos envolvidos permaneceram por longo período sem identificação precisa.
O acervo também preserva o processo relativo ao álbum de figurinhas “Heróis do Tri”, lançado em 1988 sem autorização dos atletas retratados. Ex-jogadores ingressaram com ações contra a CBF e a Editora Abril por uso indevido de imagem. Esses casos tiveram repercussão jurídica e contribuíram para o fortalecimento da proteção ao direito de imagem dos atletas, influenciando debates que culminaram posteriormente na Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998).
Outro processo de destaque envolve uma ação movida por Zico contra Romário, em 1999, por exibição de caricaturas e declarações consideradas ofensivas em um estabelecimento comercial ligado ao ex-atacante. A Justiça julgou procedente o pedido por danos morais, o que gerou desdobramentos judiciais posteriores.
O sequestro de Edevair de Souza Faria, pai do jogador Romário, está entre os casos de maior repercussão nos arquivos. O crime ocorreu em 2 de maio de 1994, na Vila da Penha, zona norte do Rio, com exigência de resgate de US$ 7 milhões. A vítima ficou em cativeiro por seis dias e foi libertada sem pagamento de nenhum valor. O local da detenção foi localizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e os vigias foram presos pela polícia.
O episódio mobilizou grande aparato policial e cobertura da imprensa, chegando a envolver grupos do crime organizado que colaboraram nas buscas em razão da admiração pelo jogador. Na época, Romário atuava pelo FC Barcelona e ameaçou não integrar a seleção caso o pai permanecesse em cativeiro. Após a libertação, o atleta viajou para os Estados Unidos e teve papel central no tetracampeonato brasileiro em 1994.
Os processos guardados no TJRJ documentam investigações, decisões judiciais e contextos sociais, oferecendo registros que ajudam a compreender a evolução das carreiras dos atletas e a relação entre o futebol e a sociedade brasileira.



