sábado, junho 27, 2026
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Operação Contenção: 17% dos policiais removeram as câmeras corporais

Uma análise do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre as imagens registradas por 51 policiais do Bope na Operação Contenção, realizada em outubro de 2025, identificou que em 17% dos casos as câmeras corporais foram retiradas durante a ação. Em 7,8% dos registros há indícios de obstrução deliberada das imagens. A avaliação preliminar aponta que, em 82% dos casos analisados até o momento, os equipamentos teriam sido usados corretamente.

O levantamento foi realizado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que conduz investigação independente solicitada pelo MPRJ. O Gaesp já colheu depoimentos de mais de 200 agentes envolvidos em confrontos, selecionados a partir da verificação de consumo de munição no dia da operação. Essas oitivas têm servido para esclarecer as circunstâncias dos eventos.

A Operação Contenção foi deflagrada nos Complexos da Penha e do Alemão contra o Comando Vermelho e resultou em mais de 120 mortos, incluindo cinco policiais.

Até agora, o MPRJ ofereceu oito denúncias contra 27 policiais militares por supostas ilegalidades ocorridas durante a operação. As acusações envolvem apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasões de domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais.

Também foram iniciados os depoimentos dos presos vinculados à operação, com o objetivo de registrar versões complementares sobre os acontecimentos. O Ministério Público promoveu busca ativa por familiares das pessoas mortas para possibilitar ouvintes, cadastramento e acompanhamento institucional das famílias interessadas no andamento das investigações.

Entre as medidas adotadas estão a instauração de Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo, monitoramento em tempo real pelo plantão de operações e a ativação dos protocolos previstos na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

Em abril deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu prazo de 90 dias para que a Polícia Federal realize perícia nas imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais que participaram da Operação Contenção.

No âmbito preventivo e de controle externo, o MPRJ expediu em dezembro de 2025 uma recomendação aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar para a criação de um Protocolo Conjunto de Atuação em operações policiais, com medidas para redução de riscos, mitigação de danos e contenção da letalidade. Em março deste ano, o Ministério Público encaminhou nova recomendação às mesmas autoridades para aprimorar o planejamento, a execução e o monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis (COPs).

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