Mato Grosso do Sul reforçou a sustentabilidade como eixo de desenvolvimento econômico e de modernização da gestão pública durante o 1º Seminário “Construindo a Sustentabilidade na Gestão Pública”, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) na quinta-feira (29).
Realizado no plenário da Corte, o evento reuniu prefeitos, vereadores e representantes de instituições públicas de diversas regiões. As pautas incluíram políticas públicas sustentáveis, mudanças climáticas, governança ambiental e estratégias de adaptação ao clima.
Na ocasião foi assinado o “Pacto pela Sustentabilidade e pela Resiliência Climática dos Municípios de Mato Grosso do Sul”, subscrito pelo TCE-MS, Governo do Estado, Ministério Público do Estado, AGEMS, Assomasul e UCVMS. O documento prevê atuação conjunta para fortalecer políticas de sustentabilidade, gestão de riscos climáticos, governança e cultura de prevenção nos municípios, além de ações de capacitação, planejamento sustentável, transparência e incentivo a critérios sustentáveis nas contratações públicas.
Dados apresentados pelo governo estadual destacam avanços ambientais nas últimas décadas. Segundo o Executivo, cerca de 5 milhões de hectares de pastagens degradadas foram convertidos em áreas com maior potencial de absorção de carbono. A área de floresta plantada teria crescido de 300 mil para 2 milhões de hectares, o que, de acordo com o governo, contribui para captura de carbono e fornecimento de matéria-prima para a indústria de celulose e energia limpa.
O estado aponta também crescimento na bioenergia: a capacidade instalada atual é de 2.450 megawatts, posicionando Mato Grosso do Sul em segundo lugar no país em produção de energia limpa. Fontes oficiais informam que 94% da energia gerada no estado provém de fontes sustentáveis, como biomassa, solar e eólica. Com base nessa matriz energética, o governo anunciou a atração de investimentos ligados à economia verde e a previsão de implantação de um grande data center no estado.
A meta estadual prevista é alcançar neutralidade de carbono até 2030, estratégia que o governo apresenta como fator de inserção competitiva no mercado internacional e de promoção de benefícios socioambientais a comunidades tradicionais e ao setor produtivo.
O seminário também destacou a incorporação de critérios ambientais em projetos de infraestrutura. Como exemplo, a construção do anel viário de Bonito recebeu aportes adicionais para atender exigências ambientais relacionadas à preservação da fauna e à drenagem do bioma local, segundo informações oficiais.
A programação incluiu palestras sobre o papel dos municípios no desenvolvimento sustentável e sobre compras públicas sustentáveis. Uma atração do evento foi a experiência imersiva “Travessia dos Elementos: um caminho para o futuro sustentável”, um túnel sensorial inspirado nos elementos terra, água, vento e fogo que usa som, iluminação e estímulos táteis para ilustrar os impactos das mudanças climáticas e encerra em um ambiente que simboliza equilíbrio ambiental.
O pacto firmado dá sequência a iniciativas conjuntas anteriores entre Governo do Estado e TCE-MS. Entre elas está o Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral, implantado em 2021 por meio de um acordo institucional envolvendo o Executivo, Imasul, TCE-MS e o Ministério Público, que contribuiu para a destinação adequada de milhares de toneladas de embalagens e para o fortalecimento da política estadual de resíduos sólidos.
No campo das compras públicas, o governo promoveu em 2025 o 1º Licicomp, Congresso Estadual de Licitações e Compras Públicas, para debater modelos mais inteligentes e sustentáveis de contratação. Em janeiro deste ano, foram implantados novos módulos no Sistema de Compras Governamentais, integrando transformação digital, sustentabilidade e ferramentas de governança e eficiência nas aquisições públicas.
O seminário também marcou simbolicamente a abertura da Semana do Meio Ambiente, que será celebrada em 5 de junho.



