sábado, maio 30, 2026
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Polícia Científica: exames em acidentes identificam causas e previnem novas ocorrências

Marcas de pneus, danos nos veículos, fragmentos, fluidos, condições da via e a posição final dos envolvidos são elementos fundamentais para reconstruir a dinâmica de um acidente de trânsito. Em ocorrências graves, esses vestígios são examinados pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) com o objetivo de gerar prova técnico-científica para subsidiar investigações.

Durante o Maio Amarelo, movimento dedicado à segurança viária, a perícia reforça a importância de esclarecer por que os acidentes ocorrem, avaliando comportamento do condutor, estado do veículo, estrutura da via ou a combinação desses fatores.

A equipe pericial é acionada em casos com lesões graves, óbitos, suspeita de crime de trânsito ou quando há necessidade de esclarecimento para fins judiciais. No local, os peritos verificam as condições de segurança, preservam a cena e iniciam registros fotográficos e métricos.

O levantamento contempla marcas de frenagem e derrapagem, ponto provável de colisão, deformações nos veículos, fragmentos, vazamentos, posição dos automóveis após o evento e outros elementos materiais. Com esses dados, são aplicados princípios de física e engenharia para estimar velocidade, trajetória, direção das forças e sequência dos impactos.

Na avaliação de uma marca de frenagem, por exemplo, calcula-se a energia dissipada até a parada do veículo considerando o comprimento da marca e o coeficiente de atrito do pavimento.

A perícia também analisa fatores externos à conduta dos motoristas: condições da pista, sinalização horizontal e vertical, iluminação, visibilidade, chuva, neblina, buracos, ondulações e características geométricas da via. Essa abordagem ampla é necessária porque a causa do acidente nem sempre é única.

Além de indicar eventuais falhas mecânicas, problemas viários, perda de aderência ou limitação de visibilidade, o exame pericial verifica o funcionamento de sistemas de segurança do veículo que possam ter influenciado o resultado da ocorrência.

A preservação do local é determinante para a qualidade do laudo. A retirada indevida de veículos, a remoção de fragmentos ou a limpeza da via antes da chegada da perícia podem eliminar informações essenciais e inviabilizar cálculos, como a determinação de velocidade ou de quem invadiu a pista contrária.

Em acidentes com vítimas fatais, o trabalho da perícia de campo é complementado por procedimentos no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), onde a necropsia pode apontar se a morte foi causada pelo trauma do acidente ou por evento médico anterior.

Quando necessário, os veículos são submetidos a análise técnica de componentes como freios, direção, cintos de segurança e airbags, para verificar condições de funcionamento e eventual relação com o desfecho do sinistro.

O uso de tecnologias — drones, scanners a laser e softwares de simulação tridimensional — ampliou a capacidade de registrar e analisar as cenas. Esses recursos permitem documentação mais precisa, redução do tempo de interdição das vias e apresentação mais clara da sequência do acidente nos laudos.

Além de esclarecer ocorrências específicas, os relatórios periciais podem identificar padrões em trechos rodoviários, como reincidência de acidentes, falhas de sinalização ou problemas estruturais, contribuindo para medidas de prevenção e melhoria da segurança no trânsito.

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