domingo, maio 24, 2026
InícioEconomiaGalípolo detalha ação do Master que atraiu a atenção do Banco Central

Galípolo detalha ação do Master que atraiu a atenção do Banco Central

O Banco Central identificou que o Banco Master passou a criar novas carteiras de investimentos enquanto enfrentava problemas de liquidez, fato que motivou apreensão da autoridade sobre a gestão da instituição. A informação foi apresentada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Liquidez bancária refere-se à capacidade de um banco dispor de recursos para honrar compromissos de curto prazo. Segundo o BC, a formação de carteiras em momento de escassez de caixa destoou do comportamento esperado, que seria a venda de ativos para levantar recursos.

Em novembro de 2024, foi firmado um termo de compromisso entre o BC e o Banco Master, estabelecendo prazo de seis meses para adequações nas áreas de governança, capital e liquidez. Na sequência, o Master captou recursos com garantia do Fundo Garantia de Créditos (FGC), mas passou a enfrentar restrições para novas captações via FGC.

Com limitações no acesso ao FGC e sem sucesso em buscas por recursos junto a fundos de investimento, o banco intensificou a venda de carteiras, incluindo negociações com o Banco Regional de Brasília (BRB). Essas operações estão sob investigação da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraude em aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos.

O BRB também tentou adquirir o Master, mas a operação não recebeu autorização do Banco Central. Em janeiro de 2025, diante da formação de novas carteiras pelo Master, o BC criou um grupo específico para analisar essas operações.

A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em 18 de novembro de 2025, dez meses após a criação do grupo de análise e após a recusa do BC à compra pelo BRB. Antes da liquidação, o banco apresentou uma proposta alternativa envolvendo supostos investidores estrangeiros, cujas identidades não foram confirmadas pelo Banco Central.

O BC avaliou que a liquidação do Master não representava risco sistêmico ao sistema financeiro, citando que o banco respondia por menos de 0,5% do conjunto do setor. A autoridade também destacou que a medida visou preservar os interesses do público e não teve caráter de punição aos correntistas.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES