domingo, maio 24, 2026
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Fazenda eleva previsão de inflação para 4,5% por impactos da guerra e da alta do petróleo

O Ministério da Fazenda elevou a projeção da inflação para este ano de 3,7% para 4,5%, nível que coincide com o teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão consta do Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e atribui o ajuste, em grande parte, ao impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.

A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% para 2024 e em 2,6% para 2027, segundo o mesmo boletim.

O documento subsidia a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para envio ao Congresso na sexta-feira (22). Esse relatório orienta a execução do Orçamento federal, indicando possíveis bloqueios e contingenciamentos para cumprimento dos limites de gastos e da meta de resultado primário.

Pressão do petróleo

A equipe econômica aponta que a principal pressão inflacionária decorre da disparada do petróleo no mercado internacional, que chegou a ultrapassar US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico. O relatório aponta que esse choque sobre os preços do petróleo e seus derivados elevou a perspectiva de inflação para o ano.

O relatório também considera que parte do choque será atenuada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.

Para 2027, a projeção de inflação passou de 3,0% para 3,5%.

Crescimento e composição do PIB

Apesar do ajuste inflacionário, a previsão de crescimento para 2024 permanece em 2,3% e a de 2027 em 2,6%. A SPE projeta desaceleração da atividade nos próximos trimestres em função da política monetária mais restritiva, com retomada gradual ao final do ano.

O boletim aponta mudanças na composição do crescimento no primeiro trimestre: menor contribuição da indústria, aumento da participação dos serviços e manutenção da contribuição da agropecuária. A avaliação prevê desaceleração mais intensa no segundo e terceiro trimestres, seguida por recuperação parcial da indústria no fim do ano.

Diferença em relação ao mercado

As projeções oficiais são mais otimistas do que as do mercado financeiro. A pesquisa Focus, do Banco Central, projeta inflação de 4,92% para este ano e crescimento do PIB de 1,85%.

A SPE afirmou acompanhar os riscos internacionais e ressaltou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade econômica.

Impacto fiscal

O aumento do preço do petróleo também deve reforçar as receitas federais. Estimativas da SPE indicam que o choque de preços pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês. O cálculo considera receitas vinculadas ao setor petrolífero, como royalties, dividendos, IRPJ, CSLL e imposto de exportação.

No relatório, a Secretaria ressalta que esse ganho arrecadatório pode viabilizar resposta fiscal alinhada à política monetária e ao processo de consolidação das contas públicas.

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