Ofertas de parcelamento em até três vezes sem juros têm se tornado frequentes em supermercados, postos de gasolina e farmácias. Consumidores às vezes optam por dividir despesas que antes eram pagas à vista ou em uma única cobrança no cartão.
A facilidade de crédito tem ampliado o uso do crediário para compromissos do orçamento mensal. Em paralelo, campanhas publicitárias e recomendações nas redes sociais aumentam o acesso a estímulos para antecipação do consumo.
Quando não há avaliação detalhada do impacto das parcelas no orçamento, o consumidor pode recorrer a modalidades de financiamento com juros superiores, como cheque especial, parcelamento direto com a operadora do cartão ou o crédito rotativo do próprio cartão — situações que elevam o custo final das compras.
Dados do Banco Central indicam que, em março, a inadimplência das famílias no Sistema Financeiro Nacional atingia R$ 238,5 bilhões, valor equivalente a 5,3% do estoque total de crédito concedido ao setor, que somou R$ 4,5 trilhões. Esse levantamento não inclui todas as formas de crédito concedidas por comerciantes e prestadores de serviços.
Levantamento da Serasa Experian aponta que 81,7 milhões de pessoas estavam com algum tipo de dívida em atraso. Do total de dívida em atraso, 47,1% refere-se a bancos e financeiras. Entre os devedores, 78 em cada 100 recebem até dois salários mínimos, o que coloca a população de menor renda em situação de maior vulnerabilidade a opções de crédito mais caras.
A menor formalidade no vínculo de trabalho dificulta o acesso ao crédito consignado, com desconto em folha, levando muitas pessoas a recorrerem a empréstimos não consignados, cheque especial ou ao rotativo do cartão — modalidades com taxas mais elevadas.
Existem iniciativas voltadas à educação financeira e ferramentas de apoio para tomada de decisão. A plataforma SuperRico e a associação Planejar oferecem materiais de orientação. Foi também desenvolvida uma cartilha e uma calculadora para auxiliar a população a avaliar a adesão ao programa federal Desenrola 2 e o uso do FGTS em eventual refinanciamento proposto pelo governo.
Especialistas e instituições de ensino e consultoria mantêm campanhas e cursos sobre planejamento financeiro, com o objetivo de ampliar o acesso a informações que ajudem a avaliar custos de juros, comprometer parcelas dentro do orçamento e reduzir riscos de endividamento.



