terça-feira, maio 12, 2026
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Estudo indica que tratamentos inadequados podem agravar a asma em adultos

Um levantamento com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) apontou que 60% dos adultos com asma apresentaram função pulmonar reduzida associada ao uso de tratamentos defasados, como os broncodilatadores de curta ação (SABA), conhecidos como “bombinhas de resgate”. Entre crianças, o índice foi de 33%.

A pesquisa faz parte do Projeto CuidAR, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde. O estudo concluiu que a maioria dos pacientes atendidos na Atenção Primária recebe terapias não recomendadas pelas diretrizes atuais.

Mais da metade dos entrevistados utiliza SABA como único medicamento para controle da asma. Diretrizes internacionais da Iniciativa Global para a Asma (GINA) indicam que esses broncodilatadores são ineficazes a longo prazo, pois atenuam sintomas sem tratar a inflamação, o que eleva o risco de exacerbações graves e mortalidade.

Os exames de função pulmonar realizados no estudo mostraram que muitos adultos com função reduzida não recuperaram a capacidade pulmonar após a administração de broncodilatador durante a espirometria, o que sugere danos persistentes possivelmente decorrentes de tratamento inadequado ao longo do tempo. O estudo teve como responsável técnico o pneumopediatra Paulo Pitrez.

O tratamento atualmente recomendado envolve o uso de broncodilatadores de longa ação (LABA) em combinação com anti-inflamatórios inalatórios. Ainda assim, o levantamento indica que práticas antigas, voltadas ao alívio imediato, continuam prevalentes em muitas UBS.

O estudo também trouxe dados sobre o impacto socioeconômico da doença no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, o país concentra cerca de 20 milhões de pessoas com asma. Nos últimos 12 meses, em média 60% dos pacientes perderam dias de escola ou trabalho por causa da doença; o absenteísmo afetou mais de 80% das crianças e adolescentes e 50% dos adultos.

Quanto ao quadro clínico, quase 70% dos participantes relataram três ou mais crises recentes. Quase metade precisou procurar pronto-socorro e, entre esses, 10% foram hospitalizados. Um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia aponta aumento da mortalidade por asma, com média de seis óbitos por dia no país.

Como respostas ao problema, o Projeto CuidAR propõe medidas para reduzir internações e ampliar o diagnóstico na rede pública. Entre as sugestões está a adoção de dispositivos de pico de fluxo expiratório (Peak Flow) no SUS, equipamento de manuseio simples e custo médio estimado em R$ 200, frente a valores até R$ 15 mil para exames completos tradicionais. O projeto também prevê programas de educação continuada para profissionais das UBS, com o objetivo de atualizar práticas e melhorar o manejo da asma na Atenção Primária.

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