terça-feira, maio 12, 2026
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Canetas que prometem emagrecimento podem reforçar a “economia moral da magreza”

A popularização de medicamentos subcutâneos usados no tratamento da obesidade, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem gerado debates por toda a sociedade e no meio médico.

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibiu na última segunda-feira (27) um episódio dedicado ao tema. O episódio destacou que, apesar dos efeitos expressivos desses fármacos e do aval de algumas sociedades médicas, há uso sem acompanhamento profissional e por pessoas que não se enquadram como obesas.

A reportagem explorou o impacto social desse fenômeno, mostrando como padrões estéticos atribuem valores diferentes a corpos magros e gordos, resultando em privilégios para os primeiros e estigmatização para os outros. Também foram analisadas mudanças históricas nos padrões de beleza e o papel da indústria em comercializar soluções para a exclusão gerada por esses padrões.

O retorno a padrões de magreza extrema foi abordado como fonte de preocupação, com relatos de que até modelos muito magras enfrentam exigências por silhuetas ainda mais finas. O programa ressaltou os riscos desse movimento para crianças e adolescentes, considerados mais suscetíveis a influências estéticas.

O episódio relacionou a difusão das canetas a consequências políticas e sociais para as mulheres, observando que a ênfase em medidas corporais pode desviar atenção de pautas mais amplas de direitos e violência de gênero no país.

Também foi discutida a medicalização da alimentação: a reportagem apontou que práticas alimentares passaram a ser tratadas em termos técnicos e farmacológicos, e que o uso das canetas intensifica esse processo. Pesquisa citada na matéria, ainda em submissão a revista científica, registrou que usuários relataram redução significativa do apetite e, em alguns casos, o uso de efeitos colaterais como náusea para limitar a ingestão alimentar. O programa alertou para os potenciais prejuízos à saúde física e mental e para a perda do aspecto simbólico da alimentação.

A matéria concluiu destacando que, além dos riscos individuais, a difusão sem controle desses medicamentos levanta questões sobre direitos, desigualdade e os efeitos sociais de padrões estéticos.

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