terça-feira, abril 28, 2026
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Pesquisa revela impacto das jaqueiras na Mata Atlântica

Pesquisadores do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) identificaram impactos da jaqueira sobre o solo e a fauna na Reserva Biológica de Duas Bocas, no Espírito Santo. O estudo foi publicado na revista Biological Invasions e recebeu financiamento da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado).

A pesquisa aponta que áreas dominadas por jaqueiras apresentam alterações na estrutura do solo, com redução de recursos essenciais e simplificação do habitat. Nessas zonas, a camada de serrapilheira é mais rasa e há menor abundância de insetos e outros invertebrados, grupos que formam a base da cadeia alimentar.

Os autores registraram ainda efeitos sobre populações de sapos da região. As mudanças no ambiente afetam as espécies de maneira desigual, com os anfíbios generalistas mostrando maior resistência às transformações. Estudo anterior, de 2020, feito na mesma unidade de conservação, constatou padrão semelhante em pequenos mamíferos: algumas espécies se beneficiaram, enquanto outras sofreram declínio em áreas com alta densidade de jaqueiras.

A jaqueira é apontada como espécie exótica invasora na Mata Atlântica, introduzida há séculos. Características como alta produção de frutos favorecem sua dispersão, e a liberação de substâncias químicas no solo (alelopatia) pode dificultar o estabelecimento de outras plantas, contribuindo para a dominância em fragmentos florestais.

Segundo os cientistas, o avanço da jaqueira funciona como um filtro ecológico que tende a reduzir a diversidade e a resiliência das comunidades locais. Por isso, as ações de manejo devem levar em conta não só o controle da planta, mas também seus efeitos sobre os animais.

Recomendações dos pesquisadores incluem a remoção contínua das árvores invasoras acompanhada de medidas de restauração, como a recuperação da serrapilheira e da vegetação nativa do sub-bosque. Além disso, ressaltam o papel humano na dispersão da espécie e defendem práticas preventivas, como evitar o plantio de espécies exóticas em áreas naturais e não descartar sementes ou restos de frutos na floresta.

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