sexta-feira, abril 17, 2026
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Peru: ultraconservador e a esquerda disputam voto a voto por vaga no 2º turno

A eleição presidencial do Peru seguia indefinida cinco dias após o início da apuração. O pleito realizado no domingo (17) contou com 35 candidatos, em uma sequência de instabilidade que já levou o país a eleger oito presidentes nos últimos dez anos.

A candidata de direita Keiko Fujimori garantiu matematicamente vaga no segundo turno, marcado para 7 de junho, ao somar 17% dos votos. O adversário que a enfrentará na etapa final, porém, ainda não foi definido: o segundo e o terceiro colocados permaneciam separados por menos de 3 mil votos.

O esquerdista Roberto Sánchez Palomino aparecia com 12% dos votos, enquanto o ultraconservador Rafael López Aliaga contabilizava 11,9%. Até o início da tarde de sexta-feira, 93,3% das urnas haviam sido apuradas.

O Peru, quarto país mais populoso da América do Sul com cerca de 34 milhões de habitantes, tem fronteira de 2.900 quilômetros com o Brasil, a segunda maior depois da Bolívia.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), registrava aproximadamente 2,6 milhões de votos entre um eleitorado estimado em 27 milhões. Esta foi a quarta tentativa presidencial de Keiko, que havia perdido no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. Alberto Fujimori foi condenado por violações de direitos humanos.

Roberto Sánchez acumulava cerca de 1,89 milhão de votos. Ele foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo, deposto e preso após tentativa de dissolução do Congresso. Castillo foi posteriormente condenado, em novembro de 2025, a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Sánchez é deputado pelo partido Juntos Pelo Peru e esteve envolvido no projeto do porto de Chancay, construído com investimentos chineses. Entre suas propostas constam a nacionalização de recursos naturais, a convocação de uma nova constituinte e ampliação de direitos trabalhistas.

Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, somava cerca de 1,877 milhão de votos. Ele iniciou a apuração em segundo lugar, mas foi ultrapassado quando começaram a ser contabilizados os votos das zonas rurais. Em seguida, Aliaga passou a denunciar fraude eleitoral, sem apresentar provas.

A Missão de Observação da União Europeia, em comunicado preliminar, afirmou não ter identificado indícios de fraude. A missão registrou, entretanto, atraso em 13 locais de votação em Lima, o que afetou cerca de 55 mil eleitores.

A crise política peruana tem sequência recente marcada por mudanças abruptas de liderança. Após a eleição de Pedro Castillo em 2021 e sua destituição, a vice-presidente Dina Boluarte assumiu, período em que protestos foram reprimidos com resultado de dezenas de mortos segundo a Anistia Internacional. Boluarte foi destituída pelo Congresso em 10 de outubro de 2025. Em seguida, o país teve sucessivas trocas na presidência do Executivo, com o Congresso exercendo papel decisivo nas transições.

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