Com vetos da China e da Rússia, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein, em nome de países do Golfo, que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
O texto, elaborado pelos Estados do Golfo, condenava apenas as retaliações atribuídas ao Irã e defendia a soberania dos países da região, sem menções a ações de Estados Unidos e Israel nem a referências à integridade territorial ou à independência política do Irã. O projeto também afirmava o direito dos Estados-membros, conforme o direito internacional, de defenderem suas embarcações contra ataques e provocações.
Onze membros do Conselho votaram a favor do documento; Colômbia e Paquistão se abstiveram. Entre os votantes a favor estavam Bahrein, Estados Unidos, Reino Unido, França, Dinamarca, Grécia, Panamá, Libéria, Letônia e Congo. A votação foi derrotada devido aos vetos dos dois membros permanentes.
O Bahrein apresentou a proposta em representação de Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. No texto, os países envolvidos sustentavam que o Irã não teria o direito de fechar o Estreito de Ormuz, pelo qual passa cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
Rússia e China criticaram o projeto como tendencioso e disseram que apresentarão uma resolução alternativa considerada mais concisa e equilibrada. A diplomacia russa ainda lembrou o precedente da Resolução 1973 (2011) sobre a Líbia, citada como exemplo de interpretação ampla que resultou em consequências políticas e de segurança na região norte-africana.
Os Estados Unidos defenderam a aprovação do texto, reiterando a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o comércio energético global.
O episódio ocorre no contexto de confrontos entre Irã, Estados Unidos e Israel. Após ações militares envolvendo EUA e Israel contra o Irã, Teerã passou a realizar retaliações contra bases norte-americanas e infraestruturas energéticas no Golfo. O governo iraniano tem apresentado essas medidas como resposta ao uso do território e do espaço aéreo de países do Golfo por forças que atacaram o Irã.
Segundo o direito internacional público, o uso da força entre Estados só é permitido com autorização do Conselho de Segurança da ONU ou em caso de legítima defesa.



