quinta-feira, abril 2, 2026
InícioMundoEmbaixador diz que negociações entre EUA e Irã viraram piada

Embaixador diz que negociações entre EUA e Irã viraram piada

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, concedeu nesta segunda-feira (30) entrevista à Agência Brasil em que abordou o atual estágio do conflito envolvendo Teerã, os Estados Unidos e Israel.

Segundo o diplomata, negociações com os EUA já vinham ocorrendo em momentos que antecederam ataques contra o Irã. Em junho de 2025, enquanto havia conversas em curso, o país sofreu um ataque que resultou numa guerra de 12 dias. Uma segunda ofensiva também teria ocorrido durante tratativas mediadas por Omã, ocorrendo dois dias antes do fechamento de negociações consideradas avançadas.

Ghadiri afirmou ainda que o presidente dos EUA, Donald Trump, renovou a retórica sobre negociações com um suposto “novo regime” iraniano e que Washington ameaçou atacar infraestruturas de energia e petróleo caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz.

Na avaliação apresentada pelo embaixador, a opinião pública iraniana tem ido às ruas e pressionado o governo a não aceitar propostas de negociação consideradas enganosas. Ele relatou manifestações contínuas, mesmo em condições adversas de clima, e afirmou que a população tem defendido a soberania nacional durante as últimas semanas de conflito.

A entrevista também trouxe observações sobre a estrutura de poder interna do Irã. Foi mencionada a sucessão no topo do sistema político, com a ascensão de Seyyed Mojtaba Khamenei à liderança após a morte do líder supremo, e a composição do Conselho dos Guardiões, formado por indicados do próprio líder e do Parlamento.

O embaixador contestou a classificação de grupos como Hezbollah e os houthis como “proxies” iranianos, descrevendo-os como organizações com agendas e motivações próprias em seus respectivos países. Ele citou contextos históricos, como a invasão israelense ao Líbano nos anos 1980 e a intervenção dos EUA no Iraque em 2003, para justificar a formação e atuação desses movimentos.

Sobre ataques a universidades e pesquisadores, Ghadiri afirmou que instalações acadêmicas iranianas foram alvos em operações atribuídas a EUA e Israel, e defendeu o papel histórico das instituições de ensino no país, citando a longa tradição acadêmica iraniana como evidência do avanço científico nacional.

Quanto ao impacto humanitário e à infraestrutura, o embaixador disse que os ataques visam enfraquecer o país, mas que a sociedade persiste nas ruas em defesa da soberania. Ele também lembrou que o Irã enfrenta sanções e pressões internacionais desde a Revolução Islâmica, há 47 anos.

A entrevista abordou ainda a cobertura da mídia internacional e brasileira sobre o conflito. O embaixador avaliou de forma heterogênea a atuação da imprensa, citando matérias que, segundo ele, têm mostrado contextos distintos do conflito.

A Agência Brasil publicou a íntegra da entrevista com o embaixador Abdollah Nekounam Ghadiri, na qual foram detalhados os pontos acima.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES