terça-feira, março 31, 2026
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Estado deverá indenizar banda que teve disco censurado durante a ditadura

A banda pernambucana Ave Sangria, cujo disco foi censurado pela ditadura militar em 1974, será indenizada pelo Estado. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última quinta-feira (26).

O grupo, referência da psicodelia em Pernambuco, teve um de seus discos recolhidos após a difusão da música “Seu Waldir”, cuja letra tratava do amor entre dois homens. As autoridades da época interpretaram a canção como atentado aos bons costumes, o que resultou na retirada dos exemplares das lojas.

O recolhimento levou ao cancelamento do segundo álbum previsto pela gravadora e contribuiu para o fim do grupo. A banda só voltou a se apresentar novamente na década de 2010.

O processo analisado pela Comissão de Anistia reuniu provas de perseguições sofridas pelos integrantes. Em decorrência disso, foi concedida indenização vitalícia de R$ 2.000 mensais, além do pagamento retroativo a partir da data do protocolo do pedido.

Em 2019, a Ave Sangria lançou o segundo disco, 45 anos após o primeiro, com a participação de Marco Polo e Almir de Oliveira, da formação original.

Em 2023, o grupo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. A banda segue em atividade, mantendo na música uma continuidade criativa distante das restrições impostas pelo regime militar.

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