Hospital público de Mato Grosso do Sul realizou a primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) pelo SUS no estado. O procedimento ocorreu no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, unidade administrada pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES).
O paciente atendido foi Gilberto Barbieri, 58 anos, servidor público aposentado residente em Nova Andradina, a cerca de 260 km de Três Lagoas. Ele convive com sintomas de doença de Parkinson há aproximadamente 15 anos, iniciados por tremores nas mãos e evoluídos para limitações motoras mais intensas. Há mais de dez anos faz uso contínuo de medicamentos, em doses administradas em intervalos próximos de três horas, e desenvolveu movimentos involuntários e perda de peso como efeitos colaterais.
Parkinson é uma doença neurológica crônica e progressiva que compromete o controle motor, manifestando-se por tremores de repouso, rigidez, lentidão de movimentos e instabilidade postural. Em estágios avançados, quando a eficácia dos medicamentos diminui e surgem episódios de imobilidade ao final do efeito das doses (conhecidos como estado “OFF”), a estimulação cerebral profunda pode ser indicada.
O procedimento realizado implantou eletrodos bilateralmente no núcleo subtalâmico, região profunda responsável pela modulação de circuitos motores. Os eletrodos foram conectados a um gerador semelhante a um marca-passo, colocado na região torácica, capaz de enviar impulsos elétricos que regulam a atividade cerebral relacionada ao movimento. Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado para avaliação intraoperatória e identificação dos pontos de estimulação mais eficazes.
Critérios médicos para indicação incluem tempo mínimo de tratamento com medicamentos (cerca de cinco anos), uso prévio de diferentes fármacos e redução da resposta medicamentosa ao longo do tempo. A técnica pode diminuir em até 80% a necessidade de medicação em casos selecionados e tende a melhorar mobilidade e qualidade de vida.
A equipe responsável pelo procedimento contou com os neurocirurgiões Eduardo Cintra Abib e Marco Aurélio Fernandes Teixeira, os anestesistas Ariane Freitas Neves e Walter Chimello Balhester, além dos profissionais de enfermagem Raisa Carvalho Batista e Felipe Gabriel Rocini Araújo.
A cirurgia foi realizada em 5 de março. O paciente ficou 24 horas na Unidade de Terapia Intensiva e mais dois dias em observação, recebendo alta em 8 de março. A programação inicial do gerador — quando serão feitos os primeiros ajustes da estimulação conforme os sintomas predominantes — está prevista para aproximadamente duas semanas após a alta.
O atendimento integra ações da rede pública estadual e amplia a disponibilidade de tratamentos de alta complexidade no estado, com oferta local dessa opção terapêutica para pacientes com Parkinson selecionados.



