quarta-feira, março 25, 2026
InícioDouradosPrefeitura solicita ação do Governo Federal por surto de chikungunya em reserva...

Prefeitura solicita ação do Governo Federal por surto de chikungunya em reserva indígena

Responsabilidade pela prevenção e combate ao mosquito nas aldeias, bem como de atenção com a saúde primária, é da Secretaria Especial de Saúde Indígena, mas a Prefeitura de Dourados está mobilizando outros órgãos para ação conjunta diante do aumento de casos da doença

Uma força-tarefa começa na próxima segunda-feira (9) na Reserva Indígena de Dourados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, após aumento expressivo de casos de chikungunya. A operação reunirá o Governo do Estado, as prefeituras de Dourados e Itaporã, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó.

A responsabilidade pela atenção primária e pelo controle do mosquito nas aldeias é do Governo Federal. Ainda assim, diante da gravidade do surto, a Prefeitura de Dourados mobilizou a Secretaria Municipal de Saúde para apoiar as ações de enfrentamento, a pedido do prefeito Marçal Filho.

O aumento de casos levou à confirmação da morte de uma mulher de 69 anos, moradora da aldeia Jaguapiru, por complicações da chikungunya. Com histórico de diabetes e hipertensão, ela apresentou os primeiros sintomas em 13 de fevereiro e faleceu em 26 de fevereiro. A infecção foi confirmada pelo Lacen, laboratório de referência estadual.

Na manhã desta sexta-feira (6) o secretário municipal de Saúde reuniu representantes de órgãos de saúde indígena, equipe do Hospital Universitário da UFGD, médicos que atuam nas aldeias, agentes de endemias e lideranças locais para traçar estratégias de contenção. O encontro abordou a intensidade dos sintomas observada nas comunidades e a necessidade de ampliar o atendimento.

A prefeitura já havia realizado bloqueio químico nas aldeias Jaguapiru e Bororó por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e do Departamento de Vigilância em Saúde, mas os casos seguem em alta. Há registros de famílias inteiras adoecendo e de dificuldade de deslocamento até unidades de saúde.

A partir de segunda-feira, agentes de endemias que atuam na área urbana de Dourados, equipes do município de Itaporã e profissionais que já trabalham nas aldeias farão visitas domiciliares para busca ativa de pacientes impossibilitados de chegar às unidades de saúde. Paralelamente, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos promoverão mutirões de limpeza nas comunidades, com foco na eliminação de possíveis criadouros. A ação terá início no Hospital da Missão Evangélica Caiuá.

Números preocupam

Dados do Núcleo de Vigilância Epidemiológica mostram aumento nas notificações em relação ao mesmo período do ano passado. Em Dourados, foram 506 notificações de dengue, com 12 confirmações; nas aldeias houve 179 notificações e seis confirmações.

Quanto à chikungunya, o município registrou 515 notificações e 189 casos positivos. Somente nas aldeias Jaguapiru e Bororó foram 183 notificações e 99 confirmações. As autoridades apontam possibilidade de subnotificação, já que muitas famílias não buscaram atendimento.

O Hospital da Missão Evangélica Caiuá registrou forte aumento na demanda, chegando a cerca de 130 atendimentos diários, segundo a administração local. Pacientes têm apresentado dores intensas no corpo e nas articulações, além de dor de cabeça e náuseas.

Com a alta procura, medicamentos para alívio dos sintomas estão em falta no hospital e nos postos de saúde da reserva. A Secretaria Municipal de Saúde informou que reforçará imediatamente o abastecimento e buscará apoio do Governo do Estado.

Lideranças indígenas também relataram preocupação com o acesso ao atendimento e a dificuldade de deslocamento até as unidades de saúde.

O que é chikungunya

A chikungunya é uma doença causada por um vírus transmitido pelas picadas do Aedes aegypti, o mesmo mosquito vetor da dengue e da zika. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores articulares intensas, dores no corpo, cefaleia, náuseas, cansaço e manchas na pele.

Embora a maioria se recupere em semanas, as dores articulares podem persistir por meses ou até anos em alguns casos, exigindo acompanhamento prolongado. Não existe antiviral específico; o tratamento é sintomático, com hidratação, repouso e medicamentos para alívio da dor. A principal medida preventiva continua sendo a eliminação de locais com água parada onde o mosquito se reproduz.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES