A fibromialgia atinge entre 2,5% e 5% da população do Brasil. Neste mês, o governo federal anunciou diretrizes para aumentar a visibilidade da doença e ampliar o acesso a tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A síndrome provoca dor generalizada sem relação direta com lesões ou processos inflamatórios. Em muitos casos, a dor vem acompanhada de fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos, formando um quadro clínico complexo.
Revisões publicadas pela revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health indicam que mais de 80% dos casos ocorrem em mulheres, sobretudo entre 30 e 50 anos. A origem da fibromialgia permanece incerta; fatores hormonais e genéticos estão entre as hipóteses em investigação.
Diagnóstico e sintomas
A fibromialgia não se caracteriza como doença inflamatória. Pesquisas apontam para uma alteração na sensibilidade dos neurônios envolvidos na percepção da dor. Entre os sintomas mais comuns estão:
– dor persistente por todo o corpo;
– fadiga e falta de energia;
– formigamento em mãos e pés;
– distúrbios do sono, incluindo insônia e apneia;
– sensibilidade aumentada a toque e a estímulos ambientais;
– alterações de humor, como depressão e ansiedade;
– dificuldade de memória, atenção e concentração.
O diagnóstico é clínico, baseado na história relatada pelo paciente e no exame físico, além da exclusão de outras condições que podem causar dor articular, como a artrose. Não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos para confirmar a fibromialgia. A investigação pode ser conduzida por um reumatologista ou pela atenção primária, em unidades básicas de saúde.
Reconhecimento legal e benefícios
A Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025, reconheceu a fibromialgia como deficiência. A medida abre acesso a benefícios legais, entre eles:
– cotas em concursos públicos e processos seletivos;
– isenções de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados;
– aposentadoria por invalidez e auxílio-doença mediante perícia;
– Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda;
– pensão por morte quando a incapacidade para o trabalho estiver comprovada.
Plano do SUS e tratamento
O Ministério da Saúde apresentou um plano estruturado para o manejo da fibromialgia pelo SUS, com foco na formação de profissionais e na oferta de tratamento multidisciplinar. A estratégia prevê acesso a fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional.
Atividades físicas regulares e intervenções não farmacológicas são destacadas como componentes essenciais do tratamento, complementando medicamentos que ajudam a modular a percepção da dor. Para pacientes com sintomas psiquiátricos associados, recomenda-se integração entre serviços de reumatologia e saúde mental, visando coordenação no uso de medicamentos e redução de riscos de interações.
Texto produzido por estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.



