A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entrega nesta quarta-feira (11), Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência, a 7ª edição do prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. A cerimônia ocorre à tarde em São Paulo. A data foi instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 para promover a igualdade de gênero na ciência.
Na categoria Ciências Biológicas e da Saúde, uma das agraciadas é a professora Luísa Lina Villa, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que também colabora com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Villa é referência internacional em pesquisas sobre o papilomavírus humano (HPV), vírus associado ao câncer do colo do útero e à infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo.
Ao longo da carreira, Villa dedicou-se ao estudo dos HPVs em diferentes instituições, incluindo quase três décadas no Instituto Ludwig e atuação posterior na Faculdade de Medicina da USP. Seus trabalhos contribuíram para a compreensão da história natural da infecção por HPV e para a comprovação da eficácia das vacinas contra o vírus.
Pesquisas conduzidas por sua equipe ajudaram a identificar que infecções por HPV de longa duração (persistentes) aumentam a probabilidade de evolução para tumores malignos, especialmente no colo do útero. O grupo também ampliou o conhecimento sobre o comportamento do vírus em homens, apontando taxas de infecção elevadas nesse grupo, potencial de transmissão a parceiros e risco aumentado de lesões no pênis, no canal anal e na orofaringe.
Esses resultados subsidiam estratégias de prevenção que incluem práticas sexuais mais seguras e, principalmente, a vacinação profilática. No Brasil, a vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, tanto meninas quanto meninos. Além disso, o esquema é disponibilizado a mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea e pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.
As vacinas contra o HPV foram aprovadas nos Estados Unidos a partir de 2006 e começaram a ser aplicadas no Brasil em 2014 para meninas. A ampliação da cobertura vacinal no mundo tem levado à redução de infecções por HPV, de verrugas genitais e de lesões precursoras, além de quedas em casos de câncer de colo do útero em vários países; sinais iniciais desses efeitos também já são observados no Brasil.
Além de Luísa Lina Villa, a SBPC reconheceu na edição deste ano a professora emérita Ana Mae Tavares Bastos Barbosa (USP) na área de Humanidades e a professora Iris Concepcion Linares de Torriani (Unicamp) na categoria Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.
Foram também concedidas três menções honrosas: Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP) em Humanidades; Marilia Oliveira Fonseca Goulart (Universidade Federal de Alagoas) em Exatas e Ciências da Terra; e Nísia Verônica Trindade Lima (Fundação Oswaldo Cruz) em Ciências Biológicas e da Saúde.



