O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em seu perfil em rede social um vídeo que incluía uma imagem racista de cerca de dois segundos retratando o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A postagem foi apagada após ampla repercussão e críticas, inclusive de integrantes do próprio Partido Republicano.
Ao ser questionado por jornalistas no embarque para o avião presidencial, Trump afirmou não ter percebido a parte racista do fim do vídeo e declarou que não pretende pedir desculpas. Ele também alegou que o conteúdo foi republicado em seu perfil e não produzido por sua equipe.
A sequência com teor racista foi adicionada ao final de um vídeo de aproximadamente um minuto que veiculava teorias conspiratórias relacionadas às eleições de 2020. No material havia acusações já desmentidas sobre suposta fraude eleitoral, incluindo menções à empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems.
As alegações falsas sobre a Dominion levaram a um acordo extrajudicial entre a emissora Fox News e a empresa de tecnologia, no valor de US$ 787 milhões, para encerrar um processo por difamação.
A publicação provocou reação de líderes republicanos, que pediram retratação do presidente e classificaram o conteúdo como inaceitável. Entre os críticos estão figuras do partido que representam diferentes correntes dentro da base republicana.
A repercussão ocorre em um momento político delicado para os republicanos, que correm o risco de perder a estreita maioria que possuem na Câmara e no Senado nas eleições de novembro. Recentes resultados estaduais indicam movimentações adversas ao partido: no Texas, o democrata Taylor Rehmet venceu uma cadeira no Senado estadual que era ocupada por um republicano desde os anos 1990. Rehmet obteve vitória por 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump havia vencido em 2024 por 17 pontos, configurando uma virada de cerca de 32 pontos, resultado que analistas apontam como sinal de alerta para os republicanos.



