O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quinta-feira (28), durante visita ao Panamá, o apoio à neutralidade no funcionamento do Canal do Panamá. A posição foi apresentada como defesa de um comércio internacional justo e baseado em regras multilaterais.
A defesa da neutralidade pelo governo brasileiro ocorre em meio a recentes investidas e ameaças de tomada do canal por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mais cedo, na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá, o presidente colocou o Brasil ao lado da soberania panamenha sobre a via.
Lula encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de adesão formal do Brasil ao Protocolo de Neutralidade do Canal do Panamá. Em agosto do ano passado, o governo já havia enviado ao parlamento o reconhecimento direto do tratado sobre a neutralidade permanente e a operação do canal.
O presidente foi condecorado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo Panamá, durante a visita. As autoridades panamenhas administram o canal há quase três décadas, segundo registros oficiais, garantindo operação considerada eficiente, segura e não discriminatória.
Na agenda bilateral, Brasil e Panamá assinaram acordos voltados à dinamização do comércio e ao aumento de investimentos. Entre os instrumentos assinados está um acordo de facilitação de investimentos, além de medidas de cooperação em turismo e gestão portuária.
Os governos também negociaram a atualização do acordo de serviços aéreos, com o objetivo de ampliar a segurança jurídica no transporte de cargas, e conversaram sobre um possível acordo de preferências tarifárias, condicionado à adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul.
O Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central. Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 1,6 bilhão. As autoridades também trataram da conclusão do procedimento sanitário necessário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil.
No Fórum Econômico Internacional, a delegação brasileira defendeu a necessidade de abordagens conjuntas para enfrentar problemas regionais. Durante o evento, foram destacados como estratégicos para a transição digital e energética os recursos naturais e infraestrutura das Américas, incluindo potencial energético, biodiversidade, água e minerais.
Foi ressaltado ainda que infraestruturas integradas e o aumento do comércio intrarregional podem fortalecer cadeias produtivas e ampliar a resiliência a choques externos. Entre os desafios apontados para ação conjunta estão o combate ao crime organizado transnacional e a superação de diferenças ideológicas em prol de agendas comuns.
Em encontro bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, Lula discutiu temas relacionados à infraestrutura física, oportunidades de investimento e rotas para a integração sul-americana. As conversas incluíram alternativas para garantir à Bolívia acesso a portos e escoamento de sua produção, a retomada do diálogo na área energética e iniciativas conjuntas contra o crime organizado na Amazônia.
A Presidência brasileira informou que foi feito convite para uma visita de Estado do presidente boliviano ao Brasil, prevista para o primeiro semestre de 2026, com participação de empresários. Os mandatários também instruíram seus ministérios das Relações Exteriores a levantarem projetos prioritários em curso como preparação para o encontro.



