sábado, maio 30, 2026
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Cid acusa defesa de Bolsonaro de tentar coagir filha para obter informações sobre delação

O tenente-coronel Mauro Cid relatou à Polícia Federal (PF) que advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro estabeleceram contato com sua filha menor, esposa e mãe na tentativa de influenciar sua delação premiada, na qual divulgou detalhes sobre um suposto plano golpista durante o governo anterior.

A defesa de Cid considera esses contatos como uma possível obstrução da Justiça, acusando os advogados Paulo Cunha Bueno e Fábio Wajngarten de tentarem obter informações sobre a delação e de persuadir Cid a não colaborar com as investigações.

Em decisão recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, requisitou à PF que ouvisse Bueno e Wajngarten, que já foi assessor de Bolsonaro. Moraes é o relator do caso que investiga o que é denominado “núcleo crucial” da trama golpista, que inclui, além de Cid, o próprio Bolsonaro e outros seis réus.

Na terça-feira, durante seu depoimento, Cid afirmou que ao verificar o celular de sua filha, constatou que os advogados Luiz Eduardo de Almeida Kuntz e Fábio Wajngarten mantiveram um contato frequente com ela via WhatsApp e Instagram. Segundo Cid, essas interações ocorreram de forma contínua entre setembro de 2023 e o início de 2024. Kuntz é também advogado do coronel Marcelo Câmara, que é réu na mesma investigação e, recentemente, pediu ao STF a anulação da delação de Cid.

Kuntz alegou ao STF que discutiu com Cid, no começo de 2024, informações sobre a delação, por meio de um encontro e via um perfil falso no Instagram. O advogado argumentou que isso poderia violar o sigilo dos depoimentos de Cid, comprometendo sua colaboração com as autoridades.

A Meta, empresa proprietária do Instagram, confirmou que o perfil suspeito foi criado com o e-mail vinculado a Cid. A Google, responsável pelo Gmail, informou que o registro do e-mail inclui a mesma data de nascimento que a do tenente-coronel.

Cid negou ter conversado sobre a delação com Kuntz ou ter qualquer relação com o perfil no Instagram. Ele afirmou que sua delação foi voluntária e que o advogado supostamente cercou ele e sua família em eventos nas hípicas de Brasília e São Paulo.

Cid mencionou uma abordagem feita a sua mãe em um evento hípico em São Paulo, onde também estava o advogado Paulo Bueno, que defende Bolsonaro. Ao ser questionado sobre as razões dos contatos dos advogados, Cid expressou a crença de que Kuntz buscava obter informações sobre a colaboração para interferir nas investigações, alegando que ele estava aproveitando-se da inocência da filha.

Referente a áudios que parecem registrar Cid discutindo a delação com Kuntz, o tenente-coronel acredita que tais gravações foram realizadas inadvertidamente e diz que o material pode ter sido editado. Kuntz, por sua vez, refutou qualquer acusação de obstrução da Justiça.

Entretanto, Moraes determinou a prisão de Marcelo Câmara, um dos réus, por entender que ele, por meio de seu advogado, desrespeitou a ordem de não utilizar redes sociais ou manter contato com outros investigados.

A Agência Brasil está tentando contatar o advogado Paulo Bueno para maiores esclarecimentos. Após a decisão de Moraes, Wajngarten se manifestou nas redes sociais, afirmando que a criminalização da advocacia é uma maneira de esconder a falta de voluntariedade do delator Mauro Cid e, consequentemente, a nulidade da colaboração.

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