As duas principais federações que reúnem sindicatos da Petrobras mantinham posições divergentes sobre a continuidade da greve no nono dia do movimento, nesta terça-feira (23).
A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa 105,4 mil trabalhadores distribuídos em 14 sindicatos, decidiu encaminhar a suspensão da paralisação após o conselho deliberativo aprovar a aceitação da contraproposta apresentada pela Petrobras no domingo (21). A entidade informou que as unidades em greve permanecem paralisadas até a realização das assembleias previstas pelos sindicatos.
Entre os pontos apontados pela FUP como acordados com a empresa estão a garantia de ausência de punições aos grevistas, abono de 50% dos dias parados e desconto dos demais sem reflexos ou a opção por banco de horas. A federação também listou avanços econômicos, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho, mencionando pagamento de abono, reajustes nos vales alimentação e refeição, criação de auxílio alimentação mensal, redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento, além de melhorias no plano de saúde.
Na manhã desta terça, a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), aprovou a suspensão do movimento com 89% dos votos.
Contraposição: continuidade da greve
A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que reúne 26 mil trabalhadores de quatro sindicatos, considerou insuficientes as concessões da Petrobras e decidiu manter a paralisação em sessão plenária realizada na terça-feira. A FNP agendou nova assembleia para depois do dia 26 e tem promovido mobilização da categoria por meio das redes sociais.
Abrangência e reivindicações
A greve chegou a atingir nove refinarias, 28 plataformas de produção marítima, 16 terminais operacionais, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e dez instalações terrestres operacionais.
As principais reivindicações que motivaram a paralisação incluem:
– melhorias no plano de cargos e salários;
– solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, o fundo de pensão da categoria;
– defesa da manutenção da Petrobras como empresa pública e de um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal (pauta Brasil Soberano).
Petros e prazo para solução
Em carta compromisso enviada aos sindicatos na segunda-feira, a diretoria executiva da Petrobras indicou que a resolução da questão relacionada aos PEDs da Petros demandará um processo que pode durar até oito meses.
Posição da Petrobras
Em nota à Agência Brasil, a Petrobras informou que apresentou no domingo ajustes na proposta de acordo coletivo, contemplando avanços nos principais pleitos sindicais. A empresa afirmou que a medida demonstra compromisso com o entendimento com a categoria e busca a suspensão do movimento grevista.
A estatal também informou que a greve não provocou impacto na produção e que o abastecimento ao mercado segue garantido, com equipes de contingência mobilizadas onde necessário. A companhia declarou ainda que respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém-se aberta ao diálogo com as entidades sindicais.



