sexta-feira, março 27, 2026
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Vaqueiro é assassinado ao ajudar a retirar gado invasor de terra indígena

Um vaqueiro vinculado ao Ibama foi morto durante uma operação de retirada de gado ilegal na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu (PA). O crime ocorreu por volta das 14h de segunda-feira (15 de dezembro de 2025), quando a vítima foi baleada na altura do pescoço enquanto conduzia cerca de 350 cabeças por ramais estreitos na mata.

O nome do vaqueiro não foi divulgado até que a família seja comunicada. Ele integrava a equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis que executa ação de desintrusão determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

A operação visa remover invasores e animais do território indígena. Em outubro de 2023, cerca de 2 mil pessoas que criavam gado e cultivavam cacau ilegalmente foram retiradas da TI Apyterewa. Entre 2018 e 2022, a terra indígena registrou o maior desmatamento do país em decorrência dessas ocupações.

O Ibama identificou mais de 40 pontos dentro da reserva com presença de bovinos remanescentes. Há relatos de tentativas de retorno de invasores para manejar o rebanho, com episódios de ataques contra indígenas e agentes do Estado em ações anteriores. Em uma ocorrência no ano passado, um funcionário da Funai foi baleado.

Durante as operações, invasores também têm provocado danos à infraestrutura: queima de pontes e colocação de dispositivos pontiagudos nas estradas para furar pneus de veículos oficiais.

Participam da ação, além do Ibama e do Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Força Nacional, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará e as polícias Militar e Civil do estado.

O manejo do rebanho exige deslocamentos por trechos de floresta de difícil acesso. Vaqueiros contratados conduzem os animais até pontos de embarque. Em seguida, o gado é levado a uma fazenda administrada pela agência de defesa agropecuária do Pará, onde passa por triagem. Parte do rebanho entra em quarentena e outra parte é destinada ao abate. A carne resultante só pode ser utilizada em programas sociais, como merenda escolar, e é proibida a comercialização.

A Polícia Federal vai investigar a morte do vaqueiro. A corporação já conduz um inquérito relacionado às ações dos invasores na região.

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