domingo, março 29, 2026
InícioMundoBrasil expressa preocupação com reforma tarifária aprovada no México

Brasil expressa preocupação com reforma tarifária aprovada no México

O governo brasileiro manifestou atenção e preocupação diante da reforma tarifária aprovada pelo Congresso do México, que prevê alíquotas de até 50% sobre importações de países sem acordo de livre-comércio com aquele país.

Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira (12), o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informaram que aguardam a publicação do texto final da lei para avaliar os efeitos sobre as exportações brasileiras.

Aprovada na quinta-feira (11), a medida estabelece tarifas entre 5% e 50% para cerca de 1,5 mil produtos de 17 setores considerados estratégicos, entre eles automóveis e autopeças, vestuário, plásticos, siderurgia e eletrodomésticos. Além do Brasil, serão atingidos países como China, Índia, Coreia do Sul, Rússia e África do Sul. A previsão é que as novas alíquotas entrem em vigor a partir de 1º de janeiro.

O governo brasileiro avaliou que o setor automotivo tende a sofrer pouco impacto, dada a existência de um acordo setorial de comércio com o México. Ainda assim, alertou para o risco de perda de preferências bilaterais em outros segmentos, o que pode prejudicar comércio e investimentos dependendo das listas finais de produtos.

Autoridades brasileiras disseram que mantêm contato com interlocutores mexicanos para tratar dos possíveis efeitos das mudanças. O governo ressaltou a importância de decisões comerciais que preservem previsibilidade, segurança jurídica e a integração produtiva entre os países, e afirmou que continuará empenhado em diálogo construtivo para manter um ambiente favorável ao comércio e aos investimentos bilaterais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou que até 15% das exportações brasileiras ao México podem ser afetadas e defendeu a intensificação do diálogo entre os dois governos.

A aprovação no Senado mexicano ocorreu em caráter de urgência, com 76 votos a favor, cinco contrários e 35 abstenções. Parlamentares que se abstiveram criticaram a tramitação acelerada e alertaram para potencial efeito inflacionário. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apoia a proposta e deve sancionar a lei em breve.

A decisão mexicana surge às vésperas da revisão marcada para 2026 do acordo de livre-comércio com Estados Unidos e Canadá. O governo dos EUA, sob pressão do presidente Donald Trump, tem acusado o México de servir como rota de entrada de produtos chineses para o mercado norte-americano. O governo chinês criticou a medida, classificando o protecionismo como prejudicial à economia global.

Embora as autoridades mexicanas afirmem que a lei incide apenas sobre países sem acordos comerciais amplos, o Brasil possui entendimentos setoriais com o México. Atualmente, o México absorve 2,25% das exportações brasileiras e ocupa a sexta posição entre os principais destinos no período de janeiro a novembro de 2025, com cerca de US$ 7 milhões exportados no intervalo.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES