O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou, neste domingo (23), sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que a Justiça fez o que era necessário ao determinar sua prisão. Lula, que estava em Joanesburgo para a Cúpula de Líderes do G20, foi abordado por jornalistas após a prisão de Bolsonaro, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na noite anterior.
Lula não entrou em detalhes sobre a decisão do STF, destacando que Bolsonaro teve amplo acesso ao processo judicial, que incluiu investigações que duraram mais de dois anos. O presidente reforçou que a Justiça tomou sua decisão e que Bolsonaro deve cumprir a pena imposta.
A decisão de Moraes para a prisão preventiva de Bolsonaro mencionou a possibilidade de fuga, especialmente após o ex-presidente ter tentado danificar sua tornozeleira eletrônica. Este ato alarmou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap). Bolsonaro foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal e participou de uma audiência por videoconferência.
Na última sexta-feira (21), Bolsonaro utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, o que levou as autoridades a alertar sobre uma possível violação. Moraes concedeu um prazo de 24 horas para que a defesa se manifestasse sobre a situação.
Durante a audiência, Bolsonaro atribuiu sua tentativa de violação a efeitos colaterais de medicamentos e negou qualquer intenção de fuga. Em relação a uma vigília organizada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, o ex-presidente disse que o evento ocorria a uma distância considerável de sua residência, o que inviabilizaria qualquer tumulto que facilitasse uma fuga.
A defesa de Bolsonaro indicou que recorrerá da decisão de prisão preventiva, alegando que a medida foi motivada por uma intenção de humilhação. Os advogados sustentaram que a narrativa de tentativa de fuga é apenas uma justificativa para a detenção.
Na segunda-feira (24), o STF deverá discutir a decisão do ministro Moraes. O ministro Flávio Dino convocou uma sessão virtual extraordinária para este fim.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em relação a uma trama golpista, e ele e outros réus poderão começar a cumprir pena em regime fechado nas próximas semanas. Recentemente, a Primeira Turma do STF rejeitou diversos recursos que buscavam reverter as condenações.
Neste domingo, também se encerra o prazo para a apresentação de recursos finais pela defesa. Se os recursos forem negados, as prisões devem ser executadas. A defesa de Bolsonaro havia solicitado a conversão de sua pena para prisão domiciliar em razão de problemas de saúde, pedido que foi negado por Moraes. Até então, Bolsonaro estava em prisão domiciliar em Brasília por descumprimento de medidas judiciais previamente estabelecidas.



