segunda-feira, março 30, 2026
InícioEconomiaFazenda revisa para 2,2% expectativa de crescimento do PIB em 2025

Fazenda revisa para 2,2% expectativa de crescimento do PIB em 2025

A desaceleração econômica resultante dos altos juros terá impacto significativo na atividade econômica do Brasil. O Ministério da Fazenda revisou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025, reduzindo-a de 2,3% para 2,2%. A atualização foi divulgada no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quinta-feira (13), em Brasília.

De acordo com a análise do ministério, a revisão é atribuída ao desempenho econômico mais fraco observado no terceiro trimestre e aos efeitos acumulados da política monetária restritiva. Para o ano de 2026, a previsão de crescimento permanece em 2,4%.

A expectativa em relação à inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também foi revista. A nova projeção para 2025 é de 4,6%, uma queda em relação aos 4,8% anteriores, embora o índice ainda deva ultrapassar o teto da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. Para 2026, a expectativa para a inflação foi ajustada de 3,6% para 3,5%. A SPE espera que a inflação se estabilize em 3,2% até o segundo trimestre de 2027, um período considerado crucial para a política monetária.

Entre os fatores que influenciam essa redução nas projeções estão a valorização da moeda nacional, a diminuição da inflação no atacado para produtos agrícolas e industriais, o excedente global de bens e a aplicação de bandeiras de tarifas de energia.

A análise do desempenho setorial revela que a agropecuária se destaca com uma expectativa elevando seu crescimento de 8,3% para 9,5%. Por outro lado, a indústria e o setor de serviços apresentaram revisões à baixa, com crescimento projetado de 1,3% e 1,9%, respectivamente.

A economia brasileira ainda está em uma trajetória de desaceleração, influenciada pelos altos juros e pela redução no crédito. Embora a taxa de desemprego permaneça em níveis historicamente baixos, houve uma diminuição na população ocupada e um crescimento mais lento nos rendimentos no terceiro trimestre.

No cenário internacional, o Boletim destaca a resiliência da atividade global, mas aponta incertezas comerciais e geopolíticas. Além disso, menciona as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que resultaram em uma queda de US$ 2,5 bilhões nas exportações brasileiras entre agosto e outubro de 2025, uma redução de 24,9% em comparação ao mesmo período de 2024. O governo brasileiro tem trabalhado na diversificação de mercados e na implementação de políticas de apoio ao setor exportador, com o diálogo entre os presidentes do Brasil e dos EUA potencialmente contribuindo para a diminuição das tarifas.

Outras projeções de preços foram igualmente revistas para baixo, com a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) caindo de 4,7% para 4,5% neste ano, e a previsão para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) passando de 2,6% para 1,4%, refletindo a depreciação do dólar, que impacta esse índice.

O Boletim Macrofiscal, publicado bimestralmente, sintetiza as principais projeções e análises sobre a economia brasileira, servindo como referência para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Este documento orienta a execução do orçamento, influenciando medidas de bloqueio e contingenciamento de gastos. O bloqueio é aplicado sobre despesas que superam o limite anual de crescimento, enquanto o contingenciamento ocorre em resposta à falta de receitas que prejudica o cumprimento das metas fiscais.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES