A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou reações diversas entre setores da economia, incluindo indústria, comércio, construção civil e sindicatos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) argumentou que a elevada taxa de juros prejudica a atividade econômica e afasta o Brasil do contexto internacional, onde muitos países já iniciaram a redução de juros.
Um estudo da CNI revelou que 80% das indústrias consideram os juros como o principal obstáculo ao acesso ao crédito de curto prazo, enquanto 71% apontam essa taxa como um entrave para financiamentos de longo prazo.
No setor da construção civil, a preocupação também é evidente. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alertou que a Selic elevada encarece o crédito imobiliário e dificulta novos projetos. A CBIC revisou sua projeção de crescimento do setor para 2025, reduzindo de 2,3% para 1,3% devido aos impactos prolongados dos altos juros.
As centrais sindicais também se manifestaram contra a decisão do Copom. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) informou que cada aumento de um ponto percentual na Selic eleva em cerca de R$ 50 bilhões os gastos públicos com juros da dívida, destacando que quase R$ 1 trilhão poderiam ser redistribuídos para setores como saúde, educação e infraestrutura.
A Força Sindical caracterizou a situação como uma “era dos juros extorsivos”, afirmando que a atual política monetária compromete o consumo e a renda das famílias.
O setor de supermercados também criticou os altos juros. A Associação Paulista de Supermercados (APAS) destacou que o Brasil permanece em um caminho oposto ao de outras nações que estão reduzindo os juros, apontando que o país possui a segunda maior taxa real de juros do mundo, o que prejudica investimentos e o consumo.
Apesar disso, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reconheceu a necessidade de uma postura cautelosa na política monetária, argumentando que a manutenção da Selic é uma resposta a desafios como a inflação ainda acima da meta e incertezas no cenário econômico.



