sábado, março 28, 2026
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Especialistas analisam a controvérsia sobre o vencedor do Prêmio Nobel da Paz

Líderes políticos, especialistas e movimentos sociais manifestaram forte reprovação à escolha da venezuelana María Corina Machado como laureada do Prêmio Nobel da Paz. Conhecida por suas posições extremistas, Machado tem defendido o governo israelense de Benjamin Netanyahu durante os conflitos em Gaza e chamado à ação militar contra seu próprio país.

O jornalista espanhol Ignacio Ramonet criticou a decisão, considerando-a uma degradação do prestígio do prêmio. Ele apontou que premiar uma figura que promove invasões e golpes de Estado representa uma inversão dos valores de paz e justiça.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também se pronunciou, apontando que a decisão do Comitê Norueguês reflete um nível preocupante de politização e preconceito. Ele qualificou a premiação de Machado, que advoga pela intervenção militar em sua nação, como vergonhosa e uma estratégia política para minar a liderança bolivariana.

O ex-presidente hondurenho, Manuel Zelaya, destacou que a concessão do Nobel a alguém associado a interesses estrangeiros e à elite financeira é uma ofensa aos povos que buscam sua soberania. Ele sublinhou que não pode haver paz quando aqueles que impõem sanções e guerras são reconhecidos.

Adolfo Pérez Esquivel, laureado do Nobel em 1980, também expressou preocupações sobre a decisão, afirmando que Machado integra uma agenda hostil em relação ao governo venezuelano e não foi reconhecida por promover a paz.

Por sua vez, Michelle Ellner, da organização Codepink, ressaltou que Machado não simboliza a paz e criticou as consequências de suas políticas, que, segundo ela, provocaram sofrimento significativo. Ellner comparou a situação na Venezuela à de Gaza, chamando a atenção para a ideologia compartilhada que desvaloriza vidas e soberanias.

O Comitê Norueguês, ao anunciar o prêmio, alegou que Machado foi escolhida pelo seu esforço contínuo em prol dos direitos democráticos na Venezuela e pela busca de uma transição pacífica para a democracia. O presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, a elogiou como um exemplo de coragem civil na América Latina.

A premiação gerou reações polarizadas, refletindo as tensões políticas na região e as diferentes visões sobre o papel de figuras como Machado na promoção da paz e democracia.

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