A edição desta semana da Rádio Estamira, de Belém (PA), foi dedicada às cantoras do rádio que marcaram a história da música popular brasileira. A homenagem incluiu referências a Dalva de Oliveira, considerada figura central na trajetória do rádio no país.
Dalva de Oliveira nasceu Vicentina de Paulo Oliveira em Rio Claro (SP), em 5 de maio de 1917. Ainda menina, aos 11 anos, deixou a cidade para trabalhar em São Paulo em funções domésticas e na cozinha, para ajudar a mãe viúva. A carreira artística começou via teatro e migrou para o rádio.
No início da carreira, Dalva conheceu Elivelto Martins e passou a se apresentar com ele e com Nilo Chagas, dupla conhecida como Preto e Branco. O grupo foi batizado como Trio de Ouro e contratado pela Rádio Mayrink Veiga, posteriormente pela Rádio Clube. O trio obteve grande sucesso com canções como Praça Onze, Ave Maria e Segredo. Registros históricos apontam que o maestro Heitor Villa-Lobos utilizava discos de Dalva como exemplo técnico em aulas no Conservatório de Música.
A programação da rádio também resgatou o papel do veículo na construção de imaginários sonoros, citando nomes que atravessam a memória do meio, como Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso, Dircinha Batista e o Zimbo Trio.
O programa Viva Maria, veiculado pela Rádio Estamira e apresentado por Mara Regia, foi lembrado como espaço de articulação e visibilidade feminina no Amazonas. Um acervo particular do Tocantins com material sobre o programa foi apontado como fonte de pesquisa e homenagem.
O jornalista Cláudio Paixão, ouvinte da Rádio Nacional da Amazônia desde a infância, figura entre os que acompanham a trajetória do Viva Maria. O programa está em atividade desde 1981 e prepara-se para completar 45 anos, transição que inclui presença ampliada nas plataformas digitais.
Ao longo das décadas, o Viva Maria acompanhou o surgimento de lideranças locais. Entre as personalidades lembradas estão a parteira Maria Zenaide de Sousa, cuja atuação comunitária foi destacada; a lideranças políticas que emergiram a partir da mobilização promovida pelo programa, como a ex-vereadora Cristina Lopes Afonso; e ativistas culturais que se apropriaram da poesia como forma de expressão, caso de Kenya Silva.
O arquivo de correspondência da emissora registra repercussão imediata quando peças produzidas pelo público foram ao ar. Um poema sobre a rotina de mulheres do campo, levado ao programa por ouvintes, gerou pedido de reprise e numerosas mensagens de identificação.
Relatos de ouvintes documentam também transformações individuais. Há registros de trabalhadoras domésticas que, após acompanhar o programa, se engajaram em reivindicações por direitos e em processos de formação política, mesmo diante de resistências no ambiente de trabalho.
As iniciativas ligadas ao Viva Maria seguem buscando ampliar visibilidade para as mulheres atendidas pelo programa. A programação pretende marcar a nova fase do projeto com presença reforçada na internet e maior divulgação das histórias e rostos que compõem essa audiência.



