quarta-feira, março 25, 2026
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Vacina contra herpes-zóster fica de fora do SUS, decide Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster. A decisão foi publicada em portaria no Diário Oficial da União.

Relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) concluiu que o imunizante teria custo elevado em relação ao benefício esperado. A vacina é indicada para idosos a partir de 80 anos e para pessoas imunocomprometidas com 18 anos ou mais.

A Conitec apresentou estimativa de custos para a população alvo: vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano representaria gasto de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a vacinação dos 471 mil pacientes restantes custaria cerca de R$ 380 milhões. O investimento projetado ao final de cinco anos somaria R$ 5,2 bilhões, cenário considerado não custo-efetivo pela comissão.

A portaria prevê possibilidade de novo pedido de avaliação pela Conitec caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar a conclusão.

Sobre o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo agente da catapora. Após a infecção primária, o vírus permanece latente e pode ser reativado, situação mais comum em idosos e em pessoas com imunidade comprometida.

Os primeiros sinais incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em um a dois dias surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas com líquido, que depois secam e formam crostas. As lesões costumam ficar de um lado do corpo, seguindo o trajeto de um nervo, e afetam sobretudo o tronco, a face, a região lombar e o pescoço. O quadro costuma durar cerca de duas a três semanas.

Embora na maioria dos casos a doença regrida espontaneamente, podem ocorrer complicações graves envolvendo pele, sistema nervoso, olhos e ouvidos.

Tratamento no SUS

Em casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático para alívio da dor, febre e coceira, além de orientação sobre higiene e cuidados com a pele. Para pacientes com maior risco — idosos, imunocomprometidos ou com quadro grave — é recomendado o uso do antiviral aciclovir.

Dados epidemiológicos

Registros dos Sistemas de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) e Hospitalares (SIH/SUS) indicam, entre 2008 e 2024, 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil.

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), entre 2007 e 2023 foram registradas 1.567 mortes atribuídas ao herpes-zóster, correspondendo a uma taxa de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período. Do total de óbitos, 90% ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, e 53,4% em idosos com mais de 80 anos.

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