terça-feira, abril 28, 2026
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Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda o que os diferencia

Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos ganharam protagonismo na agenda internacional por seu papel na transição energética e em tecnologias avançadas. Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, cada um tem definição e implicações distintas para a geopolítica e a economia.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), elementos das terras raras (ETR) formam um grupo de 17 elementos químicos: 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio. Apesar da nomenclatura, esses elementos não são necessariamente escassos na crosta terrestre; o desafio está na sua dispersão, que torna a extração economicamente complexa. Terras raras são fundamentais em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico nacional, com aplicações em alta tecnologia, defesa e na transição energética. Minerais críticos, por sua vez, são classificados com base em riscos de abastecimento — como concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupções no fornecimento e dificuldade de substituição.

A inclusão de um mineral em listas estratégicas ou críticas varia conforme o país e ao longo do tempo, à medida que mudam a tecnologia, a geopolítica, a oferta e a demanda. Entre os exemplos mais citados atualmente estão lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio. Terras raras podem ser enquadradas como estratégicas ou críticas dependendo do contexto — nem todo mineral estratégico é uma terra rara, mas terras raras podem ser consideradas estratégicas.

Situação no Brasil

O SGB indica que o Brasil detém cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, o que equivaleria a aproximadamente 23% das reservas globais segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os depósitos com potencial econômico estão principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

O país também concentra reservas relevantes de outros minerais considerados estratégicos ou críticos. O Brasil detém cerca de 94% das reservas mundiais de nióbio, estimadas em 16 milhões de toneladas. Ocupa ainda posição de destaque em grafita, com 74 milhões de toneladas (aproximadamente 26% do total global), e figura entre os maiores em reservas de níquel, com cerca de 16 milhões de toneladas (12% do total mundial).

Política mineral

Em 18 de junho de 2021, o Ministério de Minas e Energia publicou a Resolução nº 2, que lista minerais considerados estratégicos para o país, divididos em três grupos:

– Itens que precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, potássio e molibdênio.
– Minerais usados em produtos e processos de alta tecnologia: cobalto, cobre, estanho, grafita, minérios do grupo da platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio.
– Minerais em que o país tem vantagem comparativa e potencial de superávit comercial: alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês, nióbio e urânio.

Disputa global e desafios industriais

A China lidera a cadeia global de produção e refino de terras raras, concentrando grande parte da capacidade industrial. Essa liderança motivou esforços de Estados Unidos e União Europeia para diversificar fornecedores.

No Brasil, a exploração de minerais estratégicos e críticos enfrenta gargalos além da prospecção: beneficiamento e refino ainda são etapas pouco desenvolvidas. Sem ampliar essas capacidades, o país tende a exportar matérias-primas e continuar a importar produtos de maior valor agregado, reduzindo oportunidades de industrialização local.

Impactos socioambientais

A mineração desses recursos acarreta impactos socioambientais significativos nas áreas de ocorrência. Entre os efeitos estão alterações em cursos d’água, degradação de paisagens e pressões econômicas e sociais sobre municípios produtores. A gestão desses efeitos exige avaliação rigorosa, políticas públicas e investimentos em tecnologias menos danosas e em mitigação dos danos.

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