quarta-feira, março 25, 2026
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Seis advogados são detidos sob acusação de fraudar mais de mil idosos

Seis advogados foram detidos nesta terça-feira (22) durante a Operação Entre Lobos, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em cinco estados brasileiros. A operação resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão.

As investigações, originadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), apontam que 17 pessoas estão sendo investigadas por compor uma organização criminosa que teria causado prejuízos a mais de mil idosos, com perdas estimadas em dezenas de milhões de reais. De acordo com o MPSC, as vítimas, cuja idade média é de 69 anos, foram enganadas através de um esquema arquitetado para lesá-las financeiramente.

Os mandados foram executados em 13 cidades de Alagoas, Bahia, Ceará, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 32 milhões em contas bancárias e a apreensão de 25 veículos vinculados ao grupo.

A operação revelou que 215 vítimas já haviam sido identificadas, com um prejuízo de pelo menos R$ 5 milhões, embora os investigadores suspeitem que o número real de lesados possa ser superior a mil, totalizando danos superiores a R$ 30 milhões. Os investigados são acusados de integrar uma organização criminosa interestadual e de cometer crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e patrocínio infiel.

O esquema era liderado por cinco advogados, todos sob custódia. Duas prisões ocorreram em Fortaleza, outras duas em Salvador e uma em Chapecó (SC). Um dos advogados é considerado o mentor do grupo, responsável por aspectos operacionais e ações digitais.

As operações foram monitoradas por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em conformidade com as normativas da profissão.

Os integrantes da quadrilha abordavam os idosos em suas residências, nas ruas e online, utilizando uma entidade fictícia chamada Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP) para atraí-los. Sob condições de vulnerabilidade, as vítimas eram convencidas a assinar contratos de cessão de crédito judicial em valores muito inferiores aos que teriam direito em ações judiciais de revisão de contratos bancários.

As cessões eram realizadas por meio de duas empresas fictícias, Ativa Precatórios e BrasilMais Precatórios. Foram identificados métodos predatórios de captação de clientes em diversos estados, incluindo Alagoas e Rio Grande do Sul.

Os investigadores encontraram documentos financeiros que detalham a divisão de lucros, comissões e despesas da organização. Observou-se que menos de 10% do valor ganho judicialmente pelas vítimas era efetivamente repassado a elas. Um caso em destaque revelou que, embora uma vítima tivesse o direito a receber R$ 146.327,17, apenas R$ 2,5 mil foram repassados através do processo fraudulento.

O MPSC está em busca ativa de pessoas que possam ser vítimas do esquema. Indivíduos que suspeitem de terem sido lesados podem contatar a Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo, em Santa Catarina, através do WhatsApp no número (49) 99200-7462 ou por meio da ouvidoria do MPSC pelo e-mail ouvidoria@mpsc.mp.br. Atendimento telefônico está disponível também pelo número (48) 3229-9306 ou pelo 127, das 9h30 às 19h.

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