quarta-feira, março 25, 2026
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“Revolução em Testes de Medicamentos: O Poder dos Tecidos Lab-Fabricados”

Antes de um novo medicamento ser testado em humanos, ele precisa passar por avaliações de toxicidade, que buscam assegurar que seus ingredientes não causem danos maiores que os benefícios ao organismo. Tradicionalmente, esses testes são realizados em animais, mas a biofabricação de tecidos humanos está se mostrando uma alternativa mais rápida e confiável.

A fase inicial de pesquisa de uma nova molécula envolve testes em células do tecido alvo, antes de avançar para experimentos com animais, incluindo aqueles destinados a verificar hepatotoxicidade. Contudo, como os testes são feitos em espécies diferentes da humana, surgem limitações à medida que os medicamentos se tornam mais específicos.

A Gcell, uma startup pioneira incubada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca-se no desenvolvimento de biotecidos, com apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). O biotecido de fígado, que a empresa está criando, é fundamental, uma vez que o fígado é um indicador crucial da toxicidade de substâncias.

Esse modelo de biotecido desenvolvido pela Gcell apresenta células organizadas em três dimensões, reproduzindo a estrutura e a função do tecido humano com eficiência semelhante à do órgão real. Isso aumenta a capacidade de prever como o organismo humano reagirá a uma nova molécula.

Além de reduzir a dependência de testes em animais, os biotecidos oferecem resultados mais fidedignos sobre reações adversas e problemas de eficácia, que normalmente surgiriam apenas em fases mais avançadas de pesquisa. Eles também possibilitam simulações de efeitos crônicos em um ambiente controlado, permitindo a superdosagem de substâncias in vitro.

Recentemente, a Gcell iniciou uma colaboração com pesquisadores franceses para utilizar os biotecidos hepáticos na investigação de uma nova medicação contra a fibrose hepática, uma condição ainda sem cura e que não pode ser revertida. Esse modelo é ideal para testar o potencial antifibrótico das moléculas em desenvolvimento.

Atualmente, os biotecidos hepáticos da Gcell estão em fase de validação, passando por processos de caracterização morfológica e testes metabólicos. A empresa busca as certificações necessárias, enquanto atrai o interesse de farmacêuticas e indústrias de biotecnologia e cosméticos, que valorizam a precisão na avaliação de hepatotoxicidade e metabolismo de compostos.

O uso de biotecidos na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos está se expandindo mundialmente. Tecnologias similares já têm sido aplicadas com tecidos de pele na indústria cosmética, substituindo testes em animais, além de modelos avançados com células de outros órgãos e sistemas. A Gcell, por sua vez, já desenvolveu biotecidos para pulmão, articulações e tecido adiposo.

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