sábado, julho 25, 2026
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Projeto oferece atendimento médico a comunidades ribeirinhas no Amazonas

## Novos pontos de saúde reduzem deslocamento de ribeirinhos no Médio Juruá

Moradores de comunidades ribeirinhas de Carauari, no interior do Amazonas, passaram a contar com dois novos pontos de atendimento em saúde nas regiões de Campina e Bauana, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, no Médio Rio Juruá.

As unidades foram inauguradas na última semana e devem beneficiar cerca de 4,7 mil pessoas em 56 comunidades. A iniciativa busca reduzir a necessidade de longos deslocamentos fluviais até a área urbana do município para consultas, exames básicos e atendimentos de urgência.

Em muitas comunidades da zona rural de Carauari, o acesso à cidade só é possível por rio. Dependendo da localização e do nível das águas, a viagem pode durar horas ou até dias em pequenas embarcações. O município fica a mais de 1,6 mil quilômetros de Manaus por via fluvial e tem cerca de 28 mil habitantes, segundo o IBGE.

A dificuldade de acesso afeta especialmente gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Uma moradora da comunidade Boa Vista, grávida de sete meses, por exemplo, havia conseguido realizar apenas três consultas de pré-natal, embora o Ministério da Saúde recomende no mínimo seis atendimentos durante a gestação.

Com a abertura do ponto de Campina, parte das gestantes e famílias da região passou a buscar atendimento mais perto de casa. A nova estrutura também já recebeu crianças com sintomas gripais, pessoas com ferimentos e pacientes com hipertensão.

Os dois pontos funcionam em bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Cada unidade conta com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico, internet, equipamentos de telessaúde e espaço de apoio para permanência das equipes.

Os serviços são integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento será feito por enfermeiros e técnicos de enfermagem em regime de revezamento. Consultas médicas e odontológicas poderão ocorrer por mutirões, visitas periódicas ou teleatendimento, com apoio de profissionais da sede municipal.

O ponto de Bauana recebeu o nome de Raimundo Ribeiro de Lima, conhecido como Saborá, liderança comunitária da região. Já a unidade de Campina foi batizada em homenagem à líder comunitária Laice Santos do Nascimento.

A implantação faz parte do projeto SUS na Floresta, executado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Umane. A gestão é do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), com apoio técnico da Prefeitura de Carauari e da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas.

O modelo foi desenvolvido para adaptar a Atenção Primária à Saúde à realidade de comunidades amazônicas, onde os deslocamentos são longos, dependem do ciclo dos rios e há dificuldade de fixação de profissionais.

Na semana de inauguração, as unidades já ajudaram a evitar acionamentos de lanchas de resgate, conhecidas como ambulanchas. Em Campina, cinco remoções deixaram de ser necessárias. Entre os atendimentos realizados houve casos de ferimentos com pregos, acidentes com anzol, sintomas gripais, pré-natal e acompanhamento de pacientes hipertensos.

Antes da instalação dos pontos, moradores precisavam seguir até a área urbana de Carauari até mesmo para atendimentos básicos. Em casos graves, a prefeitura disponibilizava lanchas de resgate, mas o tempo de deslocamento podia variar bastante conforme a distância da comunidade e as condições do rio.

O SUS na Floresta começou a ser estruturado em 2020, durante a pandemia de covid-19, quando comunidades ribeirinhas enfrentaram maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Ao todo, o projeto prevê seis pontos de atendimento. O primeiro foi inaugurado em abril na comunidade do Ubim, em Eirunepé. Com as unidades de Campina e Bauana, o programa passa a contar com três pontos em funcionamento. Ainda estão previstos novos atendimentos em Itapiranga e Novo Aripuanã, além de um alojamento de apoio para profissionais de saúde em Uarini.

A reportagem original informou que a viagem foi realizada a convite do IDIS e da Fundação Amazônia Sustentável.

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