segunda-feira, abril 20, 2026
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Prefeitura inicia campanha de vacinação contra chikungunya em 27 de abril

Esquema vacinal foi anunciado nesta segunda-feira (20) pelo secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo; antes, os servidores da linha de frente da vacinação passarão por capacitação técnica, já que a vacina contra Chikunkunya traz uma variedade de contraindicações

O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) de Dourados informou o início, em 27 de abril, da campanha de vacinação contra a chikungunya no município. A iniciativa integra o Plano de Ação do Incidente para o Enfrentamento da doença, documento de 36 páginas com medidas para conter o surto na Reserva Indígena e na área urbana.

O primeiro carregamento de vacinas chegou a Dourados na noite de sexta-feira, 17 de abril. Nos dias 22 e 23 ocorreram capacitações para profissionais de enfermagem e vacinadores, com foco na identificação de contraindicações e comorbidades antes da aplicação. A distribuição das doses às salas de vacinação, incluindo as unidades de saúde indígena, foi programada para 24 de abril.

A aplicação das vacinas começou em 27 de abril em todas as unidades de saúde do município. Haverá ainda ação especial em formato drive-thru no pátio da Prefeitura em 1º de maio, das 8h às 12h.

Poderão receber o imunizante pessoas entre 18 e 59 anos, conforme as regras do Ministério da Saúde. O produto foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan e recebeu aprovação da Anvisa em abril de 2025. A meta local é imunizar pelo menos 27% do público-alvo — cerca de 43 mil moradores nessa faixa etária.

A estratégia nacional prevê uso estratégico da vacina em regiões com potencial de transmissão nos próximos anos. Cerca de 20 municípios em seis estados foram selecionados com base em critérios epidemiológicos, tamanho populacional e viabilidade operacional para implantação rápida da nova vacina, segundo alinhamento com o Ministério da Saúde.

Boletim epidemiológico do COE divulgado nesta data aponta 4.972 casos prováveis de chikungunya em Dourados. Desses, 2.074 foram confirmados, 1.212 descartados e 2.900 permanecem em investigação. O documento registra oito óbitos por complicações associadas à doença, sendo sete entre moradores da Reserva Indígena.

Estudos clínicos conduzidos nos Estados Unidos e no Brasil e publicados em revistas científicas internacionais demonstraram geração de anticorpos neutralizantes; nos ensaios nos EUA cerca de 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica. A vacina também já foi aprovada para uso no Canadá, Reino Unido e pela Agência Europeia de Medicamentos.

As contraindicações seguem a bula aprovada pela Anvisa. O imunizante não deve ser aplicado em gestantes ou lactantes; em pessoas com imunodeficiência congênita; em usuários de medicamentos imunossupressores, como corticóides em altas doses; em pacientes em tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia; em transplantados de órgão sólido; em transplantados de medula óssea em menos de dois anos; em pessoas com HIV/Aids; e em portadores de doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide. Também estão excluídos indivíduos com duas condições crônicas entre diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade (IMC > 30), doença hepática crônica e câncer em tratamento ou em remissão.

Outras restrições incluem quem teve chikungunya nos últimos 30 dias, quem esteja com febre grave, quem recebeu vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou vacina inativada nos últimos 14 dias.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e costuma provocar febre alta súbita e dores intensas nas articulações de mãos e pés, além de cefaleia, mialgia e exantema. Em casos raros, pode apresentar acometimento do sistema nervoso central. O principal impacto é a dor articular, que pode se tornar crônica. Não há antiviral específico; o tratamento é sintomático, com antitérmicos, analgésicos, repouso e hidratação. Nos ensaios clínicos, os eventos adversos foram em geral leves a moderados e a resposta imunológica foi observada após uma única dose.

Na implementação em áreas endêmicas, o Instituto Butantan conduzirá monitoramento para avaliar a efetividade da vacina no mundo real, comparando casos positivos e negativos entre vacinados e não vacinados. O instituto também fará estudo de pós-comercialização para acompanhar a segurança do imunizante, com identificação e seguimento de gestantes que tenham recebido a vacina sem saber da gravidez ou que engravidarem nos 30 dias após a aplicação; participantes concordantes serão acompanhadas durante a gestação e no puerpério.

Autoridades de saúde orientam a população a procurar atendimento em unidade de saúde diante de febre acompanhada de dor nas articulações ou dores no corpo, para que os casos sejam diagnosticados e acompanhados adequadamente.

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