**Brô MC’s confirma participação no Grito do Rock em Dourados**
O grupo indígena de rap Brô MC’s se reuniu nesta quarta-feira (26) com o prefeito Marçal Filho, no gabinete da Prefeitura de Dourados. O encontro tratou do apoio municipal à realização do Grito do Rock, programado para os dias 25, 26 e 27 de setembro, na Praça do Cinquentenário.
Formado por Bruno VN, CH, Tio Creb e Kelvin Mbaretê, o Brô MC’s reúne artistas Guarani e Kaiowá das aldeias Bororó e Jaguapiru, localizadas na Reserva Indígena de Dourados. O grupo é reconhecido pela valorização da cultura indígena e pela abordagem de temas ligados à realidade das comunidades originárias.
Criado em 2009, o Brô MC’s é apontado como o primeiro grupo de rap indígena do Brasil. As músicas combinam referências do hip-hop e da tradição indígena, com letras em português e guarani. Entre os assuntos presentes no repertório estão identidade, preconceito, demarcação de terras, violência e os desafios enfrentados pelos povos Guarani e Kaiowá.
A projeção nacional do grupo ganhou novo impulso em julho, com o lançamento de “Okê”, faixa gravada em parceria com Anitta e incluída no álbum mais recente da cantora. A música, voltada à ancestralidade e à espiritualidade dos povos originários, teve ampla circulação nas redes sociais por meio de uma mobilização que incentiva a menção a 17 povos indígenas.
O primeiro videoclipe do Brô MC’s, “Eju Orendive”, foi lançado em 2010. Desde então, os artistas participaram de festivais, eventos no Brasil e no exterior, assembleias indígenas e edições do Acampamento Terra Livre, em Brasília. Em 2022, o grupo integrou a programação do Rock in Rio.
A trajetória também inclui trabalhos com outros nomes da música brasileira. O Brô MC’s dividiu o palco com Xamã no Rock in Rio e participou de projetos com Alok e Marina Peralta. Com Alok, lançou “Jahá”, música que fez parte da trilha sonora da novela “Pantanal”. Já com Marina Peralta, colaborou na canção “Demarcação”.
O grupo também está envolvido na implantação de um estúdio musical na aldeia Bororó, em Dourados. A iniciativa busca ampliar o acesso de jovens indígenas à produção artística. A história dos integrantes ainda inspirou o filme “A Pele Morta”, centrado nas dificuldades enfrentadas pelos povos Guarani e Kaiowá.



