segunda-feira, setembro 21, 2026

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Pesquisa revela fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

### Fóssil de peixe de 254 milhões de anos é identificado em Mato Grosso

Um fóssil de peixe que viveu há cerca de 254 milhões de anos foi descrito por pesquisadores em estudo com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O exemplar foi encontrado em Alto Garças, no sul de Mato Grosso, e pertence a uma nova espécie denominada *Leolepis*.

Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, o animal integrava o grupo dos actinopterígios, os peixes de nadadeiras raiadas. Atualmente, esse grupo reúne cerca de 96% das espécies de peixes vertebrados, incluindo animais como salmão, atum e bacalhau.

O fóssil se destaca pelo estado de conservação. Diferentemente de outros peixes do mesmo período encontrados no Brasil, geralmente identificados a partir de dentes, escamas ou partes isoladas de ossos, o exemplar preserva quase todo o corpo.

Segundo a pesquisa, trata-se do peixe de nadadeiras raiadas do período Permiano mais bem preservado já localizado em Mato Grosso. A descoberta também é considerada incomum em escala internacional.

A espécie viveu no Permiano Superior, quando a América do Sul e a África ainda faziam parte do supercontinente Gondwana. Naquele período, a região estava associada a um extenso sistema aquático continental, originado de um antigo mar interior.

A análise dos dentes indica que o peixe provavelmente se alimentava de pequenos invertebrados e vegetais. O achado contribui para o estudo dos ecossistemas existentes pouco antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos.

Esse evento é apontado como a maior extinção em massa registrada na história do planeta. Estimativas indicam o desaparecimento de aproximadamente 78% das formas de vida terrestre e de até 95% das espécies marinhas.

O local onde o fóssil foi encontrado fica a cerca de 50 quilômetros da cratera de Araguainha, a maior estrutura de impacto conhecida e preservada da América do Sul.

O exemplar foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira. Posteriormente, passou a integrar a Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, onde foi disponibilizado para análise científica.

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