quinta-feira, março 26, 2026
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Pesquisa indica que mulheres procuraram serviços de saúde antes de serem vítimas de feminicídio

A Prefeitura do Recife passou a usar inteligência artificial para identificar, nas unidades de saúde, mulheres que possam estar em situação de violência e emitir alertas aos profissionais durante o atendimento.

A ferramenta, batizada ClarIA, analisou registros de cerca de 16 mil mulheres vítimas de violência ao longo de dez anos. O cruzamento de dados com o Sistema de Informações de Agravos de Notificação permitiu mapear padrões de adoecimento e comportamento antes de episódios graves.

O estudo apontou que, nos três meses que antecedem uma agressão grave ou um feminicídio, há aumento na procura por atendimentos relacionados à saúde mental. As demandas mais recorrentes foram por tratamentos psicológicos e queixas compatíveis com depressão, ansiedade ou ataques de pânico.

A análise também identificou outro padrão temporal: em média, as mulheres costumam procurar a unidade básica de saúde com maior frequência cerca de 92 dias antes do feminicídio, sem relatar explicitamente a violência. Em muitos casos, o feminicídio ocorre por volta de 30 dias após a notificação do caso.

Atualmente, cerca de três em cada quatro notificações de violência contra a mulher são registradas em pronto-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica, cenário que indica subnotificação.

O projeto piloto começou em três Unidades de Saúde da Família. Em março, mais 21 unidades serão integradas ao sistema no Recife. Quando a ClarIA sinaliza um risco, a informação é encaminhada pelo prontuário eletrônico a médicos, enfermeiros, dentistas e demais profissionais. As mulheres identificadas passam a ser direcionadas para a Secretaria da Mulher e para a Rede ClariCCC, onde equipes multidisciplinares realizarão acolhimento e encaminhamentos conforme a necessidade.

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